Munique, Alemanha, 14 fev (Xinhua) -- O ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reiterou neste sábado o compromisso da China em promover negociações de paz sobre a questão da Ucrânia, destacando que a Europa tem um lugar legítimo na mesa de negociações.
Wang, também membro do Birô Político do Comitê Central do Partido Comunista da China, fez essas declarações em resposta a perguntas sobre o papel da China na resolução de conflitos regionais, particularmente a crise na Ucrânia, durante seu discurso na sessão "A China no Mundo" da Conferência de Segurança de Munique.
A posição da China é muito clara: todas as questões regionais de focos de crises devem ser resolvidos por meio do diálogo e da consulta, e o mesmo se aplica à questão da Ucrânia, disse Wang.
A China não é parte no conflito e, portanto, não detém poder de decisão sobre seu resultado, disse ele, observando que a contribuição da China reside em incentivar a paz e facilitar as negociações. Enviados especiais chineses foram despachados para mediar e Beijing pediu a todas as partes, por meio de vários canais, que concordassem com um cessar-fogo e retornassem à mesa de negociações o mais rápido possível, disse ele.
Wang observou que é encorajador ver que o diálogo entre as partes relevantes havia sido retomado recentemente, especialmente com as discussões começando a se concentrar em questões substantivas da crise na Ucrânia. Embora reconhecendo que ainda existem diferenças significativas nas posições e que a paz não pode ser alcançada da noite para o dia, ele enfatizou que o diálogo é essencial para qualquer perspectiva de paz duradoura. Sem negociações sustentadas, disse ele, um acordo de paz não surgiria automaticamente.
A China, acrescentou, continua a apoiar todos os esforços voltados para a paz e continuará desempenhando um papel construtivo à sua maneira.
Wang também disse que a Europa não deve permanecer como espectadora no processo. Ele lembrou que, após o início do diálogo entre os Estados Unidos e a Rússia no início do ano passado, a Europa pareceu ter sido deixada de lado. Como o conflito está ocorrendo em solo europeu, disse ele, a Europa tem o direito e deve participar das negociações. A Europa não deve estar no menu, mas à mesa, disse ele.
A China, disse Wang, apoia a Europa no diálogo com a Rússia e na apresentação de suas próprias propostas e soluções. Ao abordar as causas profundas, acrescentou, deve-se construir uma arquitetura de segurança europeia mais equilibrada, eficaz e sustentável para evitar conflitos semelhantes no futuro e alcançar paz e estabilidade duradouras no continente.

