Encontro entre Ano Novo Chinês e Carnaval possibilita diálogo cultural das comemorações sino-brasileiras-Xinhua

Encontro entre Ano Novo Chinês e Carnaval possibilita diálogo cultural das comemorações sino-brasileiras

2026-02-14 16:02:31丨portuguese.xinhuanet.com

Beijing, 14 fev (Xinhua) -- "A primeira coisa que nos impressiona é a preparação para o Ano Novo Chinês, ou seja, a decoração predominantemente em vermelho, que começa a aparecer por todos os cantos", disse Lauro Meller, professor brasileiro que ensina língua portuguesa na Universidade de Estudos Estrangeiros de Beijing (BFSU, sigla em inglês), durante uma recente entrevista à Xinhua. Esta será a primeira Festa da Primavera que o brasileiro, sua esposa e seus filhos passarão na China.

"O animal do horóscopo chinês, em 2026, o cavalo, também começa a aparecer nas decorações e em vários tipos de produtos", observou Meller.

Chegando mais próximo à data do Ano Novo Chinês, a iluminação decorativa pelas ruas e avenidas o faz lembrar o Natal, no Brasil, mesmo "com a diferença de que na China vê as lanternas vermelhas, e por lá, as árvores de Natal".

"As crianças tiveram celebrações do Ano Novo Chinês na escola, e até ganharam roupas típicas chinesas", disse Meller, cuja família pretende acompanhar a programação de eventos do Ano Novo em Beijing, e está particularmente ansiosa para ver desfiles com a dança do leão e com os tambores chineses.

Em 2026, o número de estrangeiros que, como Meller, escolheram vir ou permanecer na China para vivenciar autenticamente o Ano Novo Chinês aumentou significativamente. Durante as últimas duas semanas de janeiro, as reservas de voos internacionais para a China saltaram mais de 400% em comparação com o mesmo período do ano passado. Notavelmente, a China registrou um aumento expressivo de nove vezes no número de reservas feitas por turistas da Argentina durante a Festa da Primavera, de nove dias neste ano. Segundo um analista do setor de turismo, celebrar a festa da Primavera na China está se tornando uma nova tendência global.

Por trás desse entusiasmo, estão os esforços contínuos da China para ampliar sua abertura e otimizar as políticas de entrada. Dados da Administração Nacional de Imigração da China mostram que, em 2025, a China expandiu a isenção unilateral de vistos para cidadãos de 48 países, enquanto o número de nações que oferecem isenção recíproca de vistos aumentou para 29. Além disso, a China aprimorou significativamente a cobertura de pagamentos com cartões estrangeiros, entre outras medidas de facilitação de viagens, tornando realidade a viagem de "vir assim que quiser" para a Festa da Primavera na China.

Enquanto Meller vivencia a atmosfera da Festa da Primavera na China, sua terra natal, o Brasil, entra em um dos momentos mais grandiosos do ano: o Carnaval. Em 2026, a cidade brasileira de São Paulo se prepara para o carnaval com a expectativa de reunir 16,5 milhões de pessoas durante as festas, que se realizam de 14 a 17 de fevereiro, anunciou o prefeito Ricardo Nunes.

No Sambódromo do Anhembi, em São Paulo, Brasil, as escolas de samba estão testando tempo, evolução e harmonia, e ajustando os últimos detalhes antes dos desfiles oficiais.

De acordo com Meller, que mora em Natal, cidade próxima a Recife, em diferentes regiões, os brasileiros comemoram o Carnaval com características distintas. "O Brasil tem três cidades que servem de modelo para o carnaval, sendo a primeira o Rio de Janeiro, com os desfiles das escolas de samba e o carnaval de rua", diz ele, acrescentando que a segunda é Salvador, com o gênero musical Axé Music, os tambores do bloco de percussão Olodum e os trios elétricos, que são caminhões adaptados com palcos, em que bandas e artistas tocam suas músicas ao vivo, enquanto a multidão dança e canta, acompanhando-os pelas ruas e avenidas, e a terceira cidade é Recife, berço do frevo, estilo de música e dança.

Em relação aos paralelos com o Ano Novo Chinês, Meller percebe a presença da percussão em ambas as festividades e a alegria e a expectativa da população. Porém, segundo ele, os estilos de música e de dança são muito diferentes, mas "isso torna a experiência muito interessante para ambos os lados".

Este diálogo festivo que atravessa montanhas e mares é bilateral. Na recente recepção de Ano Novo Chinês de 2026, realizada pela Embaixada da China no Brasil, a Orquestra de Música Folclórica de Câmara do Conservatório Central de Música apresentou obras clássicas, e atletas da Confederação Brasileira de Wushu realizaram apresentações de percussão e dança do leão.

Em seu discurso, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, destacou que a cultura constitui a força mais duradoura e profunda que une as amizades. A história das relações sino-brasileiras é também a história do intercâmbio e aprendizado mútuo entre civilizações e da crescente sintonia entre os povos.

Por sua vez, a vice-ministra das Relações Exteriores do Brasil, Susan Kleebank, expressou, durante o evento, que o Ano do Cavalo, no calendário chinês, está associado a qualidades como ação, dinamismo, vitalidade e coragem, e que todos os sinais indicam que 2026 será mais um ano marcante para o desenvolvimento das relações entre Brasil e China.

O entrelaçamento das festividades é um reflexo do intercâmbio cultural cada vez mais estreito entre China e Brasil nos últimos anos, e o Ano Cultural China-Brasil 2026 oferece um palco ainda mais amplo para tal. Segundo Zhu, o Ano Cultural China-Brasil é realizado com o objetivo de estreitar ainda mais os laços culturais e aprofundar o entendimento mútuo entre os povos, contribuindo para o diálogo entre civilizações em escala global.

Desde o início do ano, uma série de eventos foi realizada com êxito no âmbito do Ano Cultural China-Brasil. As atividades "Entre o espelho e a luz: diálogos da literatura contemporânea China-Brasil" foram organizadas em Beijing, a mostra de cinema brasileiro "Amazônia: uma floresta na tela" foi inaugurada em Beijing, e o Projeto Maravilha no setor cultural iniciou sua segunda edição com patrocínio de uma empresa chinesa no Rio de Janeiro, Brasil.

Em entrevista à Xinhua, Zhou Zhiwei, diretor-executivo do centro de estudos brasileiros e diretor do departamento de relações internacionais, ligados ao Instituto da América Latina da Academia Chinesa de Ciências Sociais, manifestou expectativa com relação ao Ano Cultural China-Brasil 2026, dizendo que os intercâmbios culturais e interpessoais podem fornecer um melhor suporte para a cooperação econômico-comercial sino-brasileira, promover a compreensão mútua entre os dois povos e consolidar as bases para o desenvolvimento futuro das relações sino-brasileiras. 

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