Beijing, 26 jan (Xinhua) -- Em uma exposição espacial comercial na capital chinesa, Beijing, o gerente de mercado Huang Heping passou o dia respondendo a perguntas incessantes de visitantes originários de Cazaquistão, Tailândia, Brasil, Paquistão e Romênia sobre uma possível cooperação em produtos e serviços de satélite.
"Há um interesse significativo em nossas inovações, como produção em massa de baixo custo e asas solares flexíveis", disse Huang, da fabricante de satélites GalaxySpace, uma importante fornecedora do projeto de constelação de satélites de internet da China.
O evento de três dias atraiu mais de 300 empresas aeroespaciais comerciais, mostrando toda a cadeia industrial, desde veículos de lançamento e fabricação de satélites até aplicações espaciais, serviços de apoio e investimentos.
O setor espacial comercial da China se tornou um dos mercados mais aquecidos desde os voos de teste de dois foguetes reutilizáveis realizados em dezembro passado. O recente pedido ambicioso do país à União Internacional de Telecomunicações para obter recursos de frequência e orbitais para 203.000 satélites acendeu ainda mais a visão do setor.
Em novembro passado, a agência espacial chinesa divulgou um plano de ação para apoiar empresas espaciais comerciais e incentivar a cooperação internacional nos próximos dois anos.
A Administração Espacial Nacional da China prometeu expandir o acesso comercial à sua rede nacional de estações civis de telemetria, rastreio e comando (TT&C, em inglês), locais de recepção de dados, faixas de calibração, grandes ativos de teste, como bancos de ensaio de motores de foguetes, e instalações de simulação do ambiente espacial.
"Em 2026, a GalaxySpace continuará promovendo as capacidades e soluções de internet via satélite da China, expandindo as demonstrações de aplicações no exterior e a cooperação em testes", observou Huang.
Outra empresa, a CAS Space, apresentou um modelo de seu veículo suborbital, o Lihong, na exposição. Os visitantes fizeram fila para entrar no modelo e usar óculos de realidade virtual para experimentar um voo espacial simulado.
Este mês, a espaçonave Lihong-1 completou seu voo inaugural, atingindo aproximadamente 120 quilômetros e transportando sementes de rosas chinesas. Ela também realizou um experimento de impressão 3D em metal no espaço.
"O espaço próximo, em altitudes de 100 a 200 quilômetros, é um ambiente experimental ideal para pesquisas de microgravidade, como manufatura espacial e biomedicina", disse Fan Na, vice-presidente da CAS Space.
A empresa estabeleceu um laboratório conjunto de medicina espacial com um hospital com base nesse conceito. "Ele pode trazer dados de volta rapidamente, acelerando a iteração do desenvolvimento de novos medicamentos", acrescentou Fan.
Na sexta-feira, a desenvolvedora de espaçonaves comerciais InterstellOr, que planeja explorar o mercado de turismo espacial, anunciou seu primeiro grupo de turistas espaciais: um especialista em redes elétricas de 84 anos, um jovem ator e um robô humanóide. Esse anúncio vem após a recente conclusão de um teste de verificação integrado para o sistema de amortecimento de pouso de sua espaçonave tripulada.

