
Pessoas protestam em frente à Embaixada dos EUA em Copenhague, capital da Dinamarca, em 29 de março de 2025. Centenas de manifestantes na capital dinamarquesa, Copenhague, e na cidade de Aarhus expressaram forte oposição no sábado às recentes declarações e ações do governo dos EUA em relação à Groenlândia. (Foto de Liu Zhichao/Xinhua)
A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que os Estados Unidos não têm o direito de anexar a Groenlândia e pediu que Washington pare de ameaçar um aliado próximo.
Bruxelas, 5 jan (Xinhua) -- Líderes europeus se uniram em apoio à Dinamarca depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a mencionar a ideia de anexar a Groenlândia e classificou o território ártico como essencial para a defesa americana.
"Com certeza precisamos da Groenlândia", disse Trump em entrevista à revista americana The Atlantic no domingo. Seus comentários vieram após a ação militar americana na Venezuela, aumentando as preocupações na Europa de que a Groenlândia seja o próximo alvo de uma intervenção dos EUA.
As declarações foram prontamente condenadas pela Groenlândia e pela Dinamarca. A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, disse que os Estados Unidos não têm o direito de anexar a Groenlândia e pediu que Washington pare de ameaçar um aliado próximo. O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, classificou a retórica americana como "totalmente inaceitável".
Líderes nórdicos estiveram entre os primeiros a se manifestar. O ministro das Relações Exteriores da Noruega, Espen Barth Eide, disse à emissora pública norueguesa NRK que "é necessário respeitar a soberania dos países". O presidente finlandês, Alexander Stubb, e o primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, enfatizaram que as decisões sobre a Groenlândia cabem exclusivamente à Dinamarca e à Groenlândia, manifestando seu total apoio ao país vizinho.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, participa da cúpula especial da União Europeia (UE) em Bruxelas, Bélgica, em 6 de março de 2025. (Xinhua/Peng Ziyang)
Na segunda-feira, Frederiksen intensificou seu alerta, declarando à emissora dinamarquesa TV2 que uma anexação da Groenlândia pelos Estados Unidos acabaria efetivamente com a aliança militar da OTAN. "Se os Estados Unidos resolverem atacar militarmente outro país da OTAN, tudo vai parar", disse ela, referindo-se à estrutura de segurança coletiva estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.
Mais países europeus concordam com essa posição. A ministra das Relações Exteriores da Áustria, Beate Meinl-Reisinger, escreveu na rede social X: "A Groenlândia é um território autônomo do Reino da Dinamarca. A Dinamarca deixou inequivocamente claro: ameaças e ilusões de anexação são inaceitáveis".
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da França, Pascal Confavreux, disse: "Fronteiras não podem ser alteradas pela força", expressando "solidariedade" à Dinamarca em entrevista ao canal francês de televisão aberta TF1.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, disse à rede britânica BBC que "o futuro da Groenlândia pertence ao Reino da Dinamarca e à própria Groenlândia", ressaltando o status da Dinamarca como membro da OTAN.

Foto tirada em 20 de março de 2025 mostra paisagem em Nuuk, na Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca. (Xinhua/Zhao Dingzhe)
O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, observou que a Groenlândia, como parte da Dinamarca, estaria, em princípio, sujeita às obrigações de defesa coletiva da OTAN.
O ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, pediu que a União Europeia (UE) seja firme. "Vamos saber quais são as verdadeiras intenções de Donald Trump em relação à Groenlândia", disse ele à emissora italiana RTL 102.5, acrescentando que a UE deve garantir a independência de um território sob a Coroa Dinamarquesa.
A nível da UE, a porta-voz da Comissão Europeia, Anita Hipper, disse durante uma conferência de imprensa diária que o bloco continuará "defendendo os princípios da soberania nacional, da integridade territorial, da inviolabilidade das fronteiras e da Carta das Nações Unidas".

Pessoas protestam em frente à Embaixada dos EUA em Copenhague, capital da Dinamarca, em 29 de março de 2025. Centenas de manifestantes na capital dinamarquesa, Copenhague, e na cidade de Aarhus expressaram forte oposição no sábado às recentes declarações e ações do governo dos EUA em relação à Groenlândia. (Foto de Liu Zhichao/Xinhua)

