Implicações preocupantes surgem após ataque militar dos EUA à Venezuela-Xinhua

Implicações preocupantes surgem após ataque militar dos EUA à Venezuela

2026-01-07 09:26:35丨portuguese.xinhuanet.com

Pessoas protestam contra os ataques dos EUA à Venezuela na cidade de Nova York, Estados Unidos, em 3 de janeiro de 2026. (Xinhua/Zhang Fengguo)

O ataque dos EUA à Venezuela foi fortemente condenado e gerou sérias preocupações em todo o mundo.

Beijing, 5 jan (Xinhua) -- Governos e acadêmicos de todo o mundo têm solicitado o cumprimento do direito internacional, ao mesmo tempo que alertam para as incertezas de segurança global em resposta ao recente ataque militar dos EUA à Venezuela e à captura de seu presidente.

No sábado, os Estados Unidos, conforme declarado pelo presidente americano, Donald Trump, em sua rede Truth Social, "fizeram um ataque em larga escala contra a Venezuela e seu líder, o presidente Nicolás Maduro, que foi capturado e retirado do país juntamente com sua esposa". Trump classificou a operação como "realizada conjuntamente com as forças de segurança americanas".

Mais tarde, no mesmo dia, Trump declarou em uma coletiva de imprensa que os Estados Unidos "governarão" a Venezuela até que seja o momento seguro da transição de poder.

A ação americana foi fortemente condenada e gerou sérias preocupações em todo o mundo.

CUMPRIMENTO DO DIREITO INTERNACIONAL EXIGIDO

"Essas ações constituem uma clara violação do direito internacional e equivalem ao uso ilegal da força contra um Estado soberano", declarou o primeiro-ministro da Malásia, Anwar Ibrahim, no domingo, referindo-se à operação americana.

O Ministério das Relações Exteriores de Cingapura, "gravemente preocupado com a intervenção dos EUA" na Venezuela, enfatizou em um comunicado divulgado no domingo que "sempre se opôs a ações contrárias ao direito internacional por quaisquer partes, incluindo intervenções militares estrangeiras em qualquer país".

Foto tirada em 3 de janeiro de 2026 mostra danos causados ​​por um ataque aéreo no porto de La Guaira, na Venezuela. (Str/Xinhua)

Em comunicado divulgado no domingo, as Filipinas pediram moderação para evitar uma escalada das tensões na Venezuela e exigiram uma resolução pacífica.

Em um comentário escrito enviado no sábado à emissora estatal SVT, a ministra das Relações Exteriores da Suécia, Maria Malmer Stenergard, disse que os países são obrigados a "respeitar o direito internacional e agir de acordo com ele".

Todos os Estados precisam respeitar e cumprir o direito internacional, declarou o presidente finlandês, Alexander Stubb, em uma publicação na rede social X, ressaltando que esse princípio é fundamental para os interesses nacionais da Finlândia.

Em um comunicado divulgado no domingo, o governo ganês classificou a operação militar dos EUA como "ataques ao direito internacional, tentativas de ocupação de territórios estrangeiros e aparente controle externo de recursos petrolíferos", observando que isso "gera implicações extremamente adversas para a estabilidade internacional e a ordem global".

ABORDAGEM "IMPERIALISTA" CONDENADA

O ataque dos EUA à Venezuela é "inquestionavelmente oposto ao direito internacional", disse Kai Ambos, professor de direito da Universidade de Gottingen, na Alemanha, em entrevista à emissora alemã WDR no sábado. Ele acrescentou que os Estados Unidos pretendiam conseguir acesso aos recursos petrolíferos da Venezuela e depor um governo que detestavam.

Um comentário da emissora nacional finlandesa Yle criticou a operação militar dos EUA como "imperialista" e descreveu as declarações de Trump sobre os EUA terem governado a Venezuela por um período como uma interferência externa excessiva na governança de outro país.

Pessoas seguram faixa em apoio à Venezuela em Nápoles, Itália, em 3 de janeiro de 2026. (Xinhua)

O comentário acrescentou que a retórica da "Doutrina Monroe" de Trump revive uma mentalidade de "quintal" semelhante à da Doutrina Monroe, sugerindo que o Hemisfério Ocidental deve ficar sob controle dos EUA.

"Qualquer Estado que viole o direito internacional e sequestre um presidente, como Trump fez, está cometendo terrorismo de Estado bárbaro", disse um comunicado do partido alemão Die Linke em seu site no sábado.

"Isso deve ser condenado como um ato de agressão inaceitável, uma demonstração da política de força e um precedente extremamente perigoso", comentou o ex-ministro das Relações Exteriores da Iugoslávia, Zivadin Jovanovic.

Na declaração de domingo, o governo ganês também expressou muita preocupação com as declarações de Trump de que os Estados Unidos "governarão" a Venezuela por um tempo e que as grandes empresas petrolíferas americanas serão convidadas a "entrar".

"Essas declarações remetem à era colonial e imperialista. Elas criam um precedente perigoso para a ordem global. Essas ambições coloniais não podem acontecer no período pós-Segunda Guerra Mundial", disse o governo.

IMPLICAÇÕES PREOCUPANTES

Especialistas expressaram preocupação com o fato de a operação dos EUA contra a Venezuela minar a ordem internacional, representar uma ameaça à segurança global e adicionar novas incertezas às relações internacionais.

Vessela Tcherneva, vice-diretora do Conselho Europeu de Relações Exteriores, declarou em entrevista à emissora búlgara Nova News que os desdobramentos em relação à Venezuela podem alterar o equilíbrio global, acrescentando: "Ninguém pode simplesmente atacar seu vizinho e interferir em seus assuntos internos".

"O que estamos vendo é provavelmente uma mudança extremamente perigosa na ordem internacional", disse Adis Ahmetovic, especialista em política externa do Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD), ao jornal alemão Tagesspiegel no sábado.

"Quando a força militar é usada sem mandato da ONU, a mudança de regime é buscada abertamente e o direito internacional é reduzido a moeda de troca, então a lei do mais forte substitui cada vez mais a força da lei", observou ele.

Na opinião de Alessia de Luca, especialista em política americana e consultora sênior do Instituto Italiano de Estudos Políticos Internacionais (ISPI), a operação dos EUA abriu uma brecha sem precedentes na ordem internacional.

A maioria dos candidatos à eleição presidencial marcada para 18 de janeiro em Portugal condenou o ataque militar dos EUA à Venezuela. Entre eles, o deputado Jorge Pinto observou: "Hoje é a Venezuela, quem será amanhã?".

ABERTURA DA CAIXA DE PANDORA

"É a abertura da caixa de Pandora", disse o ex-ministro das Relações Exteriores da Iugoslávia, Jovanovic, ao comentar o ataque militar dos EUA à Venezuela, ameaçando causar desordem e caos globais.

Aumentando as preocupações com a segurança global, Trump disse no domingo à noite que outro ataque militar "parece bom" para ele, em comentários dirigidos ao presidente colombiano Gustavo Petro, alegando: "Ele (Petro) tem fábricas e instalações de produção de cocaína. Ele não vai fazer isso".

Em uma publicação nas redes sociais no domingo, Petro pediu a Trump que parasse de difamá-lo e rejeitou o que considerou uma tentativa dos EUA de afirmar domínio sobre a América Latina.

Em uma entrevista ao jornal americano Politico no mês passado, Trump disse que irá considerar operações militares contra alvos em outros países, incluindo México e Colômbia.

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