Por Zhou Yongsui
Rio de Janeiro, 30 dez (Xinhua) -- Em um cenário internacional marcado por crescentes incertezas econômicas e tensões geopolíticas, a China tem mantido seu próprio desenvolvimento como uma das principais fontes de dinamismo da economia mundial. Para Javier Vadell, professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, o papel chinês vai muito além dos números de crescimento e representa uma alternativa concreta aos modelos tradicionais de modernização impostos ao Sul Global.
Segundo Vadell, a China se consolidou como um grande ator internacional comprometido com a promoção da paz e do desenvolvimento. "A modernização chinesa é uma grande inspiração para os países do Sul Global. Não se trata de um modelo a ser copiado, mas da prova concreta de que é possível alcançar uma modernização e um desenvolvimento sustentável e mais equitativo sem seguir os modelos neoliberais pré-fabricados do Ocidente, que historicamente condenaram nossas nações à periferia e à fragmentação social", afirma.
Ao comentar o avanço contínuo da abertura chinesa de alto nível ao exterior, Vadell destaca que as oportunidades de cooperação estão claramente delineadas no mais recente documento publicado pelo governo da China sobre a política para a América Latina e o Caribe.
O documento convida a região a participar das Iniciativas de Governança Global, Desenvolvimento Global, Segurança Global e Civilização Global, abrindo espaço para uma ampla agenda de cooperação. No entanto, ele ressalta que esses avanços enfrentam obstáculos no atual contexto geopolítico. "O problema reside nas ações agressivas de caráter neocolonialista dos Estados Unidos na região, refletidas na National Security Strategy e no retorno da lógica da doutrina Monroe, que nega explicitamente a soberania dos países da América Latina e do Caribe", avalia.
Para Vadell, a proposta chinesa de uma globalização econômica mais inclusiva e equilibrada contrasta fortemente com as alternativas ocidentais. "A globalização defendida pela China é inclusiva e soberanista, enquanto as propostas ocidentais - tanto na versão neoliberal quanto na colonialista - representam duas faces da mesma moeda. O modelo de modernização ocidental para o Sul Global baseia-se em uma globalização excludente, neocolonial e subserviente", critica.
Sobre as perspectivas da economia chinesa em 2026, o professor reconhece as incertezas, mas mantém uma avaliação positiva. "Não disponho de informações completas, mas acredito que o crescimento será satisfatório, em torno de 4% a 5%", estima.
No que diz respeito às cadeias globais de valor, Vadell observa que a China já ocupa uma posição de liderança tecnológica em cerca de 90% dos setores industriais, tendência que considera irreversível. Ele cita dados da revista Nature e do think tank australiano ASPI para sustentar essa avaliação. "Espero que esse avanço estimule ainda mais os países do Sul Global a desenvolverem, de forma autônoma e soberana, seus próprios caminhos de desenvolvimento", afirma.
Para ele, o aprofundamento do aprendizado mútuo e da transferência tecnológica será fundamental para que o desenvolvimento chinês contribua para melhorar a qualidade de vida dos povos e inspire trajetórias de crescimento mais justas e inclusivas em escala global.

