Beijing, 30 dez (Xinhua) -- A China começou a testar veículos autônomos de nível 3, ou L3, em vias públicas, marcando um grande avanço na mobilidade inteligente, segundo um artigo publicado no jornal China Daily.
De acordo com a classificação da SAE International, L3 refere-se à "automação condicional", na qual o veículo pode assumir o controle total das tarefas de direção em condições definidas - como em rodovias -, mas exige que o motorista humano permaneça disponível para assumir o controle quando necessário. Nos sistemas L2, por sua vez, os motoristas não têm permissão legal para desviar sua atenção da estrada e devem estar prontos para assumir o controle a qualquer momento, embora o carro possa realizar algumas tarefas sozinho.
No início de dezembro, dois sedãs elétricos, o Deepal SL03 e o Arcfox Alpha S, receberam aprovações em nível nacional do Ministério da Indústria e Informatização, permitindo que operassem em condições definidas em trechos designados de rodovias em Chongqing e Beijing, respectivamente.
Ao contrário dos testes L3 amplamente vistos no país, os modelos são registrados com placas padrão e dirigidos em vias públicas, como parte de um programa-piloto comercial condicional.
A medida vem meses depois que os reguladores impuseram a supervisão regulatória mais rígida do país até o momento sobre o hype de marketing em torno das tecnologias de direção inteligente. Observadores do setor dizem que o lançamento de programas-piloto L3 em vias públicas reflete a estratégia de segurança em primeiro lugar da China: endurecer as regras e esclarecer as responsabilidades de segurança antes da implantação limitada no mundo real.
A China está na vanguarda do desenvolvimento de direção autônoma. Um padrão internacional sobre cenários de teste para sistemas de direção autônoma foi lançado oficialmente, segundo informou o Ministério da Indústria e Informatização da China em julho deste ano. A emissão do padrão representa um importante consenso internacional sobre tecnologias de teste e verificação de direção autônoma, atendendo às crescentes demandas da indústria por avaliação de segurança e verificação de testes, de acordo com o ministério.
Várias montadoras - incluindo BYD, Nio, FAW e SAIC - entraram no processo de aprovação L3. O ano de 2026 é amplamente visto como um ponto de partida potencial para uma implantação mais ampla de veículos L3, desde que os programas-piloto ocorram sem problemas.
No salão do automóvel de Guangzhou, em novembro, Jin Yuzhi, CEO da unidade de negócios de soluções automotivas inteligentes da Huawei, estimou que a direção autônoma L3 estará disponível em rodovias em 2026.
Ele disse que o sistema ADS L3 da Huawei para rodovias está passando por testes em grande escala em várias cidades chinesas.
A Avatr confirmou que será a primeira marca de produção em massa a adotar o sistema L3 da Huawei, com novos modelos programados para lançamento no segundo semestre de 2026.
Pesquisas indicam que quase 70% dos consumidores chineses de renda média com idades entre 30 e 45 anos estão dispostos a pagar um adicional de 30 mil a 50 mil yuans (US$ 4.280 a US$ 7.134) por recursos avançados de direção inteligente.
Mas ainda existem obstáculos legais e econômicos. A principal diferença entre L2 e L3 está menos na tecnologia e mais na responsabilidade, afirmaram analistas. Os sistemas L2 exigem supervisão humana constante, enquanto os sistemas L3 podem assumir todas as tarefas de direção em condições específicas, transferindo a responsabilidade do motorista para o fabricante do veículo. Suas estratégias refletem diferentes compromissos entre acessibilidade, margens de segurança e experiência do usuário, e seu desempenho durante os programas-piloto influenciará os padrões futuros do setor.
Em 2021, 278 ruas em Beijing já haviam sido abertas para testes de veículos autônomos, totalizando um comprimento de mais de 1.027 km. Entre essas ruas, 19 são capazes de realizar testes noturnos, totalizando mais de 190 km.

