O fortalecimento do BRICS, os avanços em inteligência artificial (IA) e a transição energética serão os principais motores do crescimento global em 2026, projetou José Ricardo dos Santos Luz Júnior, CEO da entidade empresarial brasileira Lide China.
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Todos os países, de uma maneira geral, sofreram um impacto severo por conta do tarifaço americano.
A indústria americana também sofreu severamente esse impacto, especialmente aquelas que trabalham com insumos importados.
Empresas no segmento automobilístico e no segmento eletrônico, ao comprar componentes no exterior, esses preços, com a alíquota imposta, eles se tornam mais caros e é por isso que esses produtos também ficaram mais caros e, ficando mais caros, sofrem, inclusive, na questão não só da sua produção, como também na venda. E falar de imposição de tarifa significa uma reorganização das cadeias globais de produção. As cadeias produtivas sofrem severamente os impactos.
De acordo com o FMI, a economia mundial, no ano de 2025, teve um crescimento de 3,2% e a previsão para o ano que vem é de 3,1%.
Um severo, um baixo declínio da economia.
É claro que nós temos visto não só o tarifaço americano, que está desestabilizando as cadeias mundiais de produção, mas também temos visto, além do tarifaço, as guerras geopolíticas, como aquela em Israel, Ucrânia, Rússia, Etiópia, Sudão, dentre outros países. E também temos, além disso, a questão dos efeitos climáticos.
E quais são os pontos mais fortes para um crescimento para o ano que vem?
O desenvolvimento dos blocos regionais, como os BRICS, e isso nós temos visto aí Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e outros países tendo um desenvolvimento cada vez maior nessa integração entre os povos. Nós temos visto também, além do crescimento regional dos BRICS, o crescimento e o desenvolvimento da inteligência artificial e transição energética.
A inteligência artificial melhora a produtividade e a eficiência. E a transição energética para uma energia limpa, eólica, solar, hidrogênio verde, dentre outras, também faz com que haja uma melhoria na produtividade, na eficiência das cadeias produtivas mundiais.
O Brasil e a China são grandes, são gigantes: o Brasil aqui pelo oeste e a China pela Ásia. E eles têm desenvolvido cada vez mais uma relação intensa, não só sobre o âmbito do comércio tradicional, o Brasil continua exportando muito minério de ferro, soja, petróleo, celulose, proteínas animais para a China.
Brasil e China têm desenvolvido um diálogo estratégico, numa relação ganha-ganha e com uma mentalidade e uma visão de longo prazo.
Então, não só a inteligência artificial chinesa tem sido desenvolvida e implementada aqui no Brasil, o comércio eletrônico, a telecomunicação 5G, além disso, a internet das coisas, data center, energia limpa, eólica, solar, hidrogênio verde, a parte também de veículos elétricos -- hoje, as ruas brasileiras estão repletas de, não de veículos elétricos chineses, mas de tecnologias chinesas, e essa tecnologia já está disponível ao cidadão brasileiro. E o brasileiro, de uma forma geral, já tem entendido que essa relação veio para ficar, é uma relação profícua, uma relação duradoura e uma relação ganha-ganha.

