
Trabalhadores carregam pitayas colhidas na fazenda de Arnold Kogaing em Souza, na Região Litorânea de Camarões, em 20 de agosto de 2025. (Xinhua/Kepseu)
Por Arison Tamfu e Wang Ze
Yaoundé, 27 ago (Xinhua) -- Em uma fazenda de frutas de 10 hectares na localidade de Souza, na Região Litorânea de Camarões, uma chuva suave amolece a terra e cobre as árvores com gotas cintilantes.
Arnold Kogaing está ocupado colhendo frutas e colocando-as em sacolas de compras com alguns brindes diários.
Aos 35 anos, Kogaing jamais imaginou que cultivaria variedades de frutas asiáticas antes disponíveis apenas por meio de importações, até que uma viagem à China em 2008 para estudar engenharia mecânica mudou seu caminho.
Durante seus anos na China, Kogaing percebeu que os asiáticos preferiam uma dieta saudável, rica em vegetais e frutas, o que o levou a aprender sobre técnicas de cultivo e manejo de frutas, especialmente métodos de construção de estufas.
"Sempre amei frutas. Visitei plantações (na China). Estudei e pensei: ‘Por que não cultivar frutas em Camarões?’", disse ele.
Após concluir seus estudos universitários, o pai de dois filhos retornou a Camarões, com uma valiosa experiência em fruticultura asiática.
No centro escaldante de Souza, onde sol, calor e água abundante se combinam para criar um paraíso tropical, Kogaing descobriu que uma semente plantada muitas vezes floresce com uma velocidade surpreendente.
Foi lá que, em 2019, ele começou a cultivar uma ampla variedade de frutas, incluindo pitaya, longan, jaca, lichia, cereja, melão chinês e maracujá, entre outras.
No final de 2020, Kogaing comemorou sua primeira colheita, marcando a primeira vez que variedades locais de frutas tropicais exóticas ficaram disponíveis em Camarões.
"Hoje, temos aproximadamente 18 variedades. Em média, conseguimos produzir de quatro a cinco toneladas de frutas e vegetais por mês", disse Kogaing à Xinhua em sua fazenda.
No entanto, inicialmente houve dificuldade para as frutas ganharem popularidade no mercado interno, e Kogaing recorreu a expatriados asiáticos como seus primeiros clientes.
"Com o tempo, começamos a realizar degustações para divulgar as frutas e seus benefícios. Depois que os camaroneses as experimentaram, gostaram muito. Hoje, temos uma grande população camaronesa que já conhece as frutas e, acima de tudo, seus benefícios", disse Kogaing, o único produtor de frutas asiáticas no país.
No polo comercial de Duala, localizado a cerca de 40 km da fazenda de frutas, as frutas estão facilmente disponíveis em mercados e lojas, criando muitas oportunidades de emprego e enriquecendo o cardápio dos moradores locais.
"Costumávamos ver pitaya apenas na TV, agora comemos a fruta", disse Jeannet Mahop, moradora de Duala.
"O sabor é doce e suave, e deixa os lábios corados. É muito bom. Meus filhos adoram", acrescentou a mãe de cinco filhos, que virou consumidora recorrente de pitaya.
Os vendedores também a descreveram como um negócio lucrativo que está transformando suas vidas.
"As pessoas gostam de pitaya. Eu vendo frutas há mais de 10 anos. Quando ouvi falar dela, resolvi experimentar. Desde que comecei a vender, consigo pagar minhas contas e mandar meus filhos para a escola. A vida ficou mais confortável", disse Charles Ebot, que vende pitaya há dois anos, à Xinhua em sua loja em Douala.
A agricultura continua sendo um pilar da economia nacional de Camarões, com cerca de 70% da população envolvida em atividades de produção relacionadas.
À medida que o país centro-africano quer atingir o status de economia emergente até 2035, ele depende cada vez mais de empreendedores agrícolas jovens e inovadores como Kogaing para ajudar a impulsionar essa transformação.
Com o aumento da cooperação entre China e Camarões nas últimas décadas, mais produtos agrícolas foram introduzidos em Camarões, contribuindo para o setor agrícola dominante do país, disse Kogaing, cuja fazenda de frutas oferece uma visão geral do panorama da cooperação agrícola bilateral.
"Aprendi muito com meus amigos na China sobre técnicas de cultivo e até mesmo sobre produtos. Nós, africanos, e os camaroneses em particular, precisamos saber que temos muito a aprender com a China e a Ásia", disse Kogaing. "Camarões é a África em miniatura. Precisamos transformar o que temos em riqueza".

Foto tirada em 20 de agosto de 2025 mostra Arnold Kogaing segurando pitayas em sua fazenda em Souza, na Região Litorânea de Camarões. (Xinhua/Kepseu)

Um trabalhador come pitaya na fazenda de Arnold Kogaing em Souza, na Região Litorânea de Camarões, em 20 de agosto de 2025. (Xinhua/Kepseu)

Um trabalhador colhe pitayas na fazenda de Arnold Kogaing em Souza, na Região Litorânea de Camarões, em 20 de agosto de 2025. (Xinhua/Kepseu)

Foto tirada em 20 de agosto de 2025 mostra Arnold Kogaing manejando pitayas em sua fazenda em Souza, na Região Litorânea de Camarões. (Xinhua/Kepseu)

Trabalhadores lavam pitayas antes de armazená-las em bacias na fazenda de Arnold Kogaing em Souza, na Região Litorânea de Camarões, em 20 de agosto de 2025. (Xinhua/Kepseu)

Um trabalhador corta pitaya para mostrar sua maturação na fazenda de Arnold Kogaing em Souza, na Região Litorânea de Camarões, em 20 de agosto de 2025. (Xinhua/Kepseu)

Trabalhadores carregam pitayas colhidas na fazenda de Arnold Kogaing em Souza, na Região Litorânea de Camarões, em 20 de agosto de 2025. (Xinhua/Kepseu)

Um trabalhador colhe pitayas na fazenda de Arnold Kogaing em Souza, na Região Litorânea de Camarões, em 20 de agosto de 2025. (Xinhua/Kepseu)

Foto tirada em 20 de agosto de 2025 mostra pitayas na fazenda de Arnold Kogaing em Souza, na Região Litorânea de Camarões. (Xinhua/Kepseu)

