Procuradoria brasileira pede abertura de inquérito contra ministro da Saúde por omissão na crise da COVID-19

2021-01-24 18:21:21丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 23 jan (Xinhua) -- A Procuradoria brasileira pediu neste sábado ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de inquérito para apurar a conduta do ministro da Saúde, general Eduardo Pazuello, em relação ao combate da pandemia da COVID-19 em Manaus (capital do Amazonas -- norte), onde várias pessoas morreram em hospitais na semana passada por falta de oxigênio.

O Procurador-Geral da República, Augusto Aras, enviou a solicitação ao STF após analisar uma petição do partido Cidadania que acusa Pazuello e seus auxiliares por suposta omissão na crise sanitária em Manaus.

Aras considerou que diante dos fatos ocorridos na capital do Amazonas, é necessário investigar formalmente a conduta do ministro da Saúde, que também foi criticado por enviar 120 mil unidades de hidroxicloroquina à cidade, como forma de tratamento.

A Procuradoria pediu à Suprema Corte que Pazuello deponha à Polícia Federal.

"Considerando que a possível intempestividade nas ações do representado (Eduardo Pazuello), o qual tinha dever legal e possibilidade de agir para mitigar os resultados, pode caracterizar omissão passível de responsabilização cível, administrativa e/ou criminal, impõe-se o aprofundamento das investigações a fim de se obter elementos informativos robustos para a deflagração de eventual ação judicial", escreveu Aras.

No pedido, a Procuradoria cita que um relatório do Ministério da Saúde, no qual o ministro informa que sua pasta teve conhecimento da falta de oxigênio no dia 8, por meio da empresa White Martins, fornecedora do produto, mas só enviou oxigênio à cidade em 12 de janeiro.

Manaus vive um colapso sanitário devido a uma forte elevação de casos e mortes causadas pela COVID-19 nas últimas semanas. O aumento de pacientes com o vírus provocou lotação dos hospitais e a falta de oxigênio para atender a todos os pacientes, provocando a morte de vários deles.

Os epidemiologistas atribuem o aumento de casos do vírus a uma mutação da COVID-19 detectada na região, com maior capacidade de transmissão e letalidade, semelhante à descoberta no Reino Unido e África do Sul.

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