Entrevista: Funcionário do FMI diz que a China tem espaço fiscal para apoiar economia, convidando-a para fortalecer quadro macro fiscal

2020-10-18 13:53:16丨portuguese.xinhuanet.com

Por Xiong Maoling e Tan Yixiao

Washington, 16 out (Xinhua) -- A China tem espaço fiscal para apoiar sua recuperação econômica, disse um funcionário do Fundo Monetário Internacional (FMI), convidado o país a fortalecer seu quadro macro fiscal para lidar com os desafios agravados pelo Pandemia de COVID-19.

A China tem um apoio fiscal "considerável" este ano e é um dos poucos países onde mais apoio fiscal é esperado em 2021, disse Vitor Gaspar, diretor do departamento de assuntos fiscais do FMI, à Xinhua em uma entrevista remota por vídeo no início desta semana.

Gaspar destacou, em particular, que o governo central chinês tem fornecido recursos aos governos subnacionais para que possam sustentar o nível de gastos, "o que é necessário diante da situação".

De acordo com o recém-lançado relatório do Monitor Fiscal de outubro de 2020, os governos em todo o mundo tomaram medidas enérgicas para amortecer o golpe da pandemia, com políticas fiscais totalizando impressionantes 12 trilhões de dólares americanos em todo o mundo.

Essas medidas, juntamente com quedas acentuadas nas receitas fiscais devido à recessão, levaram a dívida pública global a um recorde de quase 100 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), de acordo com o relatório.

O nível da dívida pública da China, por sua vez, também está aumentando este ano e deve continuar sua trajetória ascendente de 2021 a 2025.

"Meu entendimento é que o prazo utilizado pelas autoridades chinesas é muito maior do que 2025", disse Gaspar, observando que as baixas taxas de juros, o crescimento econômico e o ajuste fiscal devem desacelerar o aumento da dívida no médio prazo.

O funcionário do FMI, no entanto, disse que ainda é importante para a China administrar os riscos da dívida pública e das finanças públicas, e que deve fortalecer seu quadro macro fiscal para lidar com os "desafios que foram ficando mais esmagadores pelo COVID-19".

Em seu último relatório Panorama Econômico Mundial (WEO), divulgado na terça-feira, o FMI projetou que a economia da China cresça 1,9 por cento este ano, 0,9 ponto percentual acima da previsão de junho.

O crescimento da China neste ano é "um desenvolvimento muito positivo para o país e para o mundo, dada a importância que a China tem na economia mundial", disse Gaspar.

Gaspar também citou que a China tem espaço fiscal para ter "uma política de apoio" em curto prazo. "A China tem uma margem de manobra substancial", disse ele.

Apesar da perspectiva promissora, o funcionário do FMI convidou a China a fortalecer sua rede de segurança social, que foi pressionada pelo COVID-19. "Portanto, a rede de segurança social na China é algo que terá que se fortalecer. E é algo que já está acontecendo na China no contexto de COVID-19, mas deve continuar", disse ele.

Gaspar encorajou a China a continuar reequilibrando seu modelo de crescimento, observando que ainda há a necessidade de avançar em direção a um modelo de crescimento baseado no consumo e um modelo de crescimento mais inclusivo e sustentável.

À medida que as economias reabrem gradualmente em meio à incerteza sobre o andamento da pandemia, os governos devem garantir que o apoio fiscal não seja retirado muito rapidamente, observou o funcionário do FMI.

Com muitos trabalhadores ainda desempregados, pequenas empresas em dificuldades e 80-90 milhões de pessoas provavelmente cairão na pobreza extrema em 2020 como resultado da pandemia, mesmo depois de assistência social adicional, é muito cedo para os governos retirarem o apoio excepcional, disse Gaspar.

"À medida que o tempo passa e a crise diminui, a recuperação se firma, será necessário lidar com os problemas legados com as condições preexistentes", disse Gaspar. Os problemas incluem altos níveis de dívida pública e certos tipos de intervenção que apresentam riscos de finanças públicas, como garantias, empréstimos e injeções de capital.

"Recomendamos a todos os países do mundo que usem estruturas fiscais de médio a longo prazo", disse o funcionário do FMI.

Observando que a incerteza associada ao COVID-19 é "extremamente alta", Gaspar disse que é muito importante que as estruturas fiscais macro, de médio a longo prazo, "sejam fortes e robustas e construídas de acordo com os melhores princípios de transparência e prestação de contas".

"Também é muito importante que a política seja flexível para que você possa se adaptar às circunstâncias, que podem estar mudando rapidamente", acrescentou ele.

O funcionário do FMI também observou que há uma forte diferenciação entre os países na capacidade de resposta, com os países de baixa renda enfrentando restrições de financiamento muito mais rígidas do que as economias avançadas e economias de mercado emergentes.

Os países com orçamentos cada vez mais apertados precisarão entregar mais com menos, re-priorizando os gastos e aumentando sua eficiência, disse Gaspar, acrescentando que alguns podem precisar de mais apoio financeiro e alívio da dívida.

"No contexto de uma epidemia, é muito importante apoiar os mais vulneráveis, as pessoas mais vulneráveis em nossos países, os países mais vulneráveis do mundo", disse ele.

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