A forte aposta da China na educação é um exemplo para os emergentes, dizem especialistas

2020-10-16 11:02:58丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 15 out (Xinhua) -- A forte aposta em educação feita pela China nas últimas décadas é fundamental para entender o crescimento e o desenvolvimento do país e é um exemplo a ser seguido pelos países emergentes, segundo destacaram especialistas brasileiros durante o Terceiro Encontro da Rede Brasileira de Estudos da China.

Com o nome de "Estudantes chineses e brasileiros: vida acadêmica, visões de política e mobilidade", o seminário comparou os estudos universitários em ambos os países, destacando o grande salto dado pela China no Ensino Superior nas últimas décadas.

"Em 1994, apenas 4% dos jovens entre 18 e 22 anos da China cursavam ensino superior. Em 2009, eram 24% (27 milhões), entre eles 14 milhões em cursos de 4 anos, um nível parecido ao do Brasil. Em 2020, a meta era chegar a 40% dos jovens entre 18 e 22 anos no Ensino Superior, uns 33 milhões de estudantes", afirmou Vivian Weller, professora de Educação na Universidade de Brasília e especialista no sistema educacional chinês.

Segundo ela, "houve um crescimento muito grande, tanto de instituições como de criação de matrículas universitárias na China em um período de tempo muito curto".

Além do Ensino Superior, Weller destacou que a China "dá muito valor também ao ensino profissionalizante. Busca valorizar essas profissões para a criação da harmonia social. É uma estratégia educacional baseada na meritocracia, não só para formar pessoas para o mercado de trabalho, mas, também para a sociedade".

Uma das características do sistema educacional chinês é "a criação de instituições específicas para adultos. Isso aconteceu após a revolução cultural, porque muitos chineses não puderam estudar naquele período e buscaram posteriormente acesso o ensino superior", acrescentou.

Para Weller, "outra das características do sistema educacional chinês é a coexistência de instituições de elite e populares, sistemas públicos e privados, embora, diferentemente do Brasil, a participação das instituições privadas seja muito baixa".

A especialista ressaltou a forte aposta da China para se converter em uma potência em ensino superior.

"A meta até 2020 era desenvolver um número de universidades de nível mundial, um conjunto de cursos superiores de nível mundial, com bolsas em inglês, a contratação de professores estrangeiros e envio de professores chineses ao estrangeiro para aprender inglês e posteriormente dar aulas no país", comentou Weller.

"Para 2030, o objetivo é ter mais universidades e cursos entre os melhores do mundo, ter uma melhora significativa na força geral do ensino superior no país e, até 2050, a meta é que o número e a qualidade das universidades e cursos chineses de nível mundial estejam entre os melhores do mundo, convertendo a China em uma potência mundial em ensino superior", acrescentou.

O professor de Sociologia da Universidade de Campinas (Unicamp), Tom Dwyer, apresentou uma pesquisa realizada entre estudantes universitários chineses e brasileiros, segundo a qual, ambos têm "uma alta confiança na família e uma confiança média nos meios de comunicação. A família é de longe a instituição em que mais confiam na China e no Brasil".

No caso dos universitários chineses, "há respeito e confiança em diversas instituições. Confiam muito no Partido, nas Forças Armadas, no governo, nos organismos internacionais e na Escola".

"Por sua vez, os universitários brasileiros compartilham com seus colegas chineses uma alta confiança na Escola, nas Forças Armadas e nos organismos internacionais, mas discordam radicalmente em relação à confiança no Parlamento e no Governo (55,7% e 54,3%, respectivamente), afirmou.

Outra particularidade da pesquisa é que "os universitários de ambos os países se consideram observadores, não atores, na política. Os que se consideram politicamente participantes em ambos os países não chegam a 20%: 18,2% para os universitários chineses e 10,1% para os brasileiros", destacou.

Estudantes chineses e brasileiros também compartilham um baixo interesse pela política. "O percentual dos que não compreendem , não têm interesse nela ou que não participam ativamente são 81,8% na China e 89,9% no Brasil, embora a não participação na política não significa que a política não lhes importa".

Segundo Dwyer, "65% dos universitários chineses e 42% dos brasileiros não concordam com a frase 'os jovens de hoje não têm interesse na política'. Há várias razões para entender a não participação dos jovens na política, como o acesso limitado aos canais políticos. Entre os que não participam, 36,6% dos chineses dizem que a política é muito complicada, enquanto 66,1% dos brasileiros apontam que há muita corrupção".

O Terceiro Encontro da Rede Brasileira de Estudos da China durará até 16 de outubro. Os participantes analisam temas como o desafio da mudança climática na China e no Brasil, as relações sino-brasileiras pós-pandemia, investimentos externos chineses no Brasil e na América Latina, transformações em estruturas de crescimento econômico da China e seus impactos para os países do BRICS, entre outros.

A Rede Brasileira de Estudos da China abriu em novembro de 2017 com o objetivo de aprofundar os estudos sobre a China no Brasil. Atualmente, a rede tem cerca de 300 membros, entre acadêmicos, jornalistas, diplomatas, empresários e outros profissionais.

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