Reino Unido enfrenta "verdadeiro desafio" em imposição de quarentena do coronavírus

2020-03-26 10:34:38丨portuguese.xinhuanet.com

Londres, 24 mar (Xinhua) - Quando a Grã-Bretanha entrou no primeiro dia de bloqueio, na terça-feira, um importante policial disse que impor as restrições de movimentação do governo britânico será "um verdadeiro desafio" e até impossível com o número de policiais disponíveis.

A declaração veio um dia depois que o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, declarou um "momento de emergência nacional" e convocou o povo britânico a ficar em casa para conter a propagação do COVID-19.

PASSOS DIFÍCEIS, DESAFIO VERDADEIRO

De acordo com Johnson, a partir de segunda-feira à noite, as pessoas na Grã-Bretanha só poderão deixar suas casas para "fins muito limitados", incluindo compras de necessidades básicas, qualquer necessidade médica, uma forma de exercício por dia e viajar para e do trabalho quando necessário.

Quaisquer reuniões de mais de duas pessoas serão dispersas pela polícia, e a polícia também tem o poder de aplicar multas no local de 30 libras (cerca de 35,29 dólares americanos) se as pessoas ignorarem a nova ordem de estadia doméstica.

Em uma entrevista coletiva na terça-feira, o secretário de saúde britânico, Matt Hancock, disse: "Essas medidas não são conselhos. São regras e serão aplicadas".

No entanto, alguns já criticaram a falta de clareza em torno das novas medidas e questionaram se uma multa de 30 libras (cerca de 35,29 dólares) seria suficiente para impor o bloqueio.

Ken Marsh, presidente da Federação Metropolitana de Polícia, disse ao Sky News: "Vai ser muito difícil o que é colocado diante de nós".

O governo britânico não havia informado à polícia os detalhes de quais seriam seus novos poderes, disse Marsh, acrescentando que a polícia não seria capaz de desempenhar suas novas funções sem o apoio do povo.

"Na verdade, não sabemos o que está sendo colocado diante de nós, exceto que seremos solicitados a dispersarmos multidões", disse ele. "Será um desafio real, muito real".

No fim de semana, uma multidão de pessoas foi vista visitando espaços abertos em muitas partes da Grã-Bretanha, às vezes ignorando os conselhos oficiais de distanciamento social.

ESCASSEZ DA FORÇA POLICIAL

Além da escassez de médicos, a Grã-Bretanha também está testemunhando a falta de policiais. Cerca de um em cada cinco policiais e funcionários de Londres não está disponível devido à pandemia de coronavírus, informou o jornal Evening Standard, sediado em Londres.

De acordo com a Federação de Polícia Met, a Scotland Yard viu 19 por cento dos policiais, civis e agentes de apoio comunitário se apresentarem indisponíveis para serviço, tendo contraído o COVID-19 ou porque estão auto isolados.

A federação afirmou que, na segunda-feira, 2.100 dos 31.000 policiais da força policial de Londres estavam de folga, incluindo um policial de alto escalão.

Marsh questionou a capacidade dos oficiais de lidarem com a quarentena e afirmou que o Exército Britânico pode precisar ajudar na aplicação das medidas.

"O Exército já está instalado nos arredores de Londres e em todo o país. E não duvido por um minuto que eles serão chamados, se necessário", disse Marsh. "Pode ser adaptado rapidamente e tudo está sobre a mesa".

RUAS VAZIAS, METRÔS SUPERLOTADOS

Os londrinos acordaram terça-feira para uma nova realidade de ruas tranquilas, mas a superlotação séria no metrô de Londres provocou apelos urgentes dos médicos para que as pessoas "fiquem em casa e salvem vidas".

Acima do solo, a paisagem urbana cumpria ordenadamente o quase-fechamento anunciado por Johnson na noite de segunda-feira, quando milhões de pessoas ficaram em casa e a maioria das empresas obedientemente fechou as portas aos clientes.

Apenas um ou dois passageiros foram vistos em um ônibus perto de Swiss Cottage, no noroeste de Londres, para o centro da cidade.

Destacando a emergência nacional, caminhões do Exército passaram pela Ponte de Westminster e pela Câmara dos Comuns para entregarem suprimentos urgentes ao Hospital St Thomas.

No subterrâneo, houve confusão e raiva, enquanto os passageiros lutavam para manter o distanciamento social em plataformas lotadas de pessoas tentando trabalhar em um serviço de metrô reduzido, segundo o jornal Evening Standard.

Um maquinista de metrô falou contra viagens não essenciais e disse que será forçado a se auto isolar para proteger sua família se a superlotação continuar.

Preocupado com os vagões lotados no metrô de Londres, Sadiq Khan, o prefeito de Londres, foi às mídias sociais para avisar ao público que ouçam o governo e fiquem em casa, a menos que sejam trabalhadores importantes ou precisem viajar por razões urgentes.

"Mais vidas serão perdidas", a menos que o público interrompa "todas as viagens não essenciais" durante o bloqueio do coronavírus, disse Khan.

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