Tensões entre Rússia-Turquia crescem devido disputas na Síria e na Líbia

2019-12-26 15:07:04丨portuguese.xinhuanet.com

Por Burak Akinci

Ancara, 25 dez (Xinhua) -- Rússia e Turquia estão enfrentando aquecimento das tensões em suas relações devido às diferenças na Síria e na Líbia, onde os dois países têm interesses conflitantes, mas podem optar por cooperar para interesses mútuos, disseram especialistas.

A Turquia enviou uma delegação a Moscou para buscar uma suspensão, depois que as forças do governo sírio apoiadas pela Rússia intensificaram uma ofensiva na última grande resistência rebelde do país na província de Idlib, no noroeste, ameaçando uma nova onda de refugiados em direção à fronteira com a Turquia.

O porta-voz da presidência turca, Ibrahim Kalin, disse na noite de terça-feira que Ancara pediu à Rússia que estabelecesse um cessar-fogo em Idlib, depois que a região sofreu um aumento da violência nos últimos dias.

"Eles disseram à nossa delegação que farão um esforço para interromper os ataques do regime dentro de 24 horas", disse ele aos repórteres.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, alertou que os ataques estão causando um êxodo para a Turquia, membro da OTAN, que já hospeda o maior número de refugiados sírios do mundo, com 3,6 milhões.

"Mais de 80.000 pessoas estão fugindo do bombardeio para lá e se dirigindo para nossas fronteiras", disse o líder turco no domingo, se recusando categoricamente a aceitar mais refugiados, enquanto ele está sob forte pressão doméstica por sua política de refugiados.

A ofensiva também ameaça um cessar-fogo monitorado entre Rússia, Turquia e Irã nessa região. A Turquia enviou várias centenas de tropas para esta missão em Idlib.

Moscou e Ancara também têm diferenças emergentes na guerra civil da Líbia, onde apoiam facções opostas.

A Turquia disse que poderia enviar tropas para Trípoli para apoiar o Governo do Acordo Nacional da Líbia (GAN), reconhecido internacionalmente, com o qual a Turquia assinou dois acordos de cooperação em delimitação e defesa marítima, uma medida que provocou críticas de rivais regionais no Mediterrâneo oriental.

Moscou supostamente apoia Khalifa Haftar, líder do exército rival do leste, via mercenários russos.

"A atitude da Turquia na Líbia é o forte sinal de um atrito emergente nos laços russo-turcos", disse à Xinhua, Kerim Has, analista de assuntos russos de Moscou, antecipando que o apoio de Moscou a Haftar não diminuiria, "ao contrário do que Ancara quer".

O especialista argumentou que as diferenças em relação à Líbia podem eventualmente tornar os laços bilaterais mais frágeis, já que ambas as partes tentarão consolidar suas mãos.

Além disso, o governo turco está em desacordo não apenas com a Rússia, mas também com os principais atuantes regionais, como Grécia, Egito, Israel e Síria.

Também indicou que, embora seja improvável que haja um confronto direto entre soldados turcos e russos no país do norte da África, os acordos entre Trípoli e Ancara provocaram tensões turco-russas.

"A Turquia está enfrentando um cenário em que poderia estar militarmente envolvida em uma região estrangeira distante, que não possui conexão logística ou terrestre. Isso traz riscos pesados", comentou.

Can Kasaboglu, diretor do programa de pesquisa em segurança e defesa do centro de estudos Edam, em Istambul, ecoou essas preocupações e disse em um relatório que "presumivelmente a Turquia enviará em breve um contingente conjunto de elite para a Líbia".

Kasaboglu disse que a Turquia tem opções limitadas no espaço aéreo da Líbia, exceto a implantação de drones táticos armados, já que "a Turquia não possui capacidade de aviação naval adequada para intervir no conflito líbio".

A escalada em Idlib também coloca a Turquia em uma posição vulnerável na OTAN e a aliança da Turquia com outros membros é frágil devido à sua aproximação militar, política e econômica com Moscou.

Apesar da escalada em Trípoli e Idlib, e da troca de acusações entre Ancara e Moscou, é esperado que o par ainda coopere na Líbia, como fizeram na Síria.

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