Indústria brasileira de aço contesta decisão dos EUA de sobretaxar as importações

2019-12-03 15:37:31丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 2 dez (Xinhua) -- A indústria brasileira do aço contestou nesta segunda-feira a decisão do governo dos Estados Unidos de sobretaxar as importações do produto e afirmou que a medida deve prejudicar inclusive a indústria norte-americana que "necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas".

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acusou no mesmo dia em uma rede social, Brasil e Argentina de desvalorizarem "maciçamente" suas moedas, e afirmou que vai reinstalar as tarifas de importação sobre o aço e o alumínio dos dois países.

"Brasil e Argentina têm presidido uma desvalorização maciça de suas moedas. O que não é bom para nossos agricultores. "Portanto, com efeito imediato, restaurarei as tarifas de todo o aço e alumínio enviados para os EUA a partir desses países", anunciou Trump.

Em nota, o Instituto Aço Brasil, que representa essa indústria no país, afirmou ter recebido com "perplexidade" a decisão do presidente dos Estados Unidos de restaurar as tarifas de importação. Para a entidade, o movimento é uma "retaliação que não condiz com as relações de parceria entre os dois países".

"O Instituto Aço Brasil reforça que o câmbio no país é livre, não havendo por parte do governo qualquer iniciativa no sentido de desvalorizar artificialmente o real e a decisão de taxar o aço brasileiro como forma de 'compensar' o agricultor americano é uma retaliação ao Brasil", disse a entidade.

O Instituto destacou ainda que a decisão prejudicará também a indústria do aço norte-americana, "que necessita dos semiacabados exportados pelo Brasil para poder operar as suas usinas".

Em março do ano passado, Trump anunciou uma elevação de 25% nas tarifas sobre o aço e o alumínio brasileiros, mas após varias rodadas de negociações, o governo brasileiro conseguiu uma redução das tarifas de importação que, atualmente são de 0,9% para o aço e de 2% para o alumínio.

O Brasil é um dos principais fornecedores de aço para os Estados Unidos. Segundo dados do ministério da Economia, as exportações de produtos de ferro e aço para o país norte-americano totalizaram US$ 2,57 bilhões entre janeiro e novembro deste ano, valor inferior aos US$ 2,95 bilhões no mesmo período do ano passado.

Desde o início do ano até a última sexta-feira o real se desvalorizou 9,43% frente ao dólar, barateando as exportações brasileiras e aumentando a competitividade dos produtos do país no exterior. Em novembro, a alta do dólar foi de 5,73%.

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