Multinacionais ainda investem na China apesar de tarifas dos EUA, diz economista

2019-09-11 17:28:04丨portuguese.xinhuanet.com

Trabalhadores arrumam vestidos de noiva e de baile em uma exposição da marca norte-americana Mon Cheri, em Trenton, Nova Jersey, EUA, em 10 de julho de 2019. A maioria dos vestidos de casamento no mundo vem da China, especialmente os de alta gama e costurados à mão. (Xinhua/Wang Ying)

"Não há apoio para a opinião de que grandes números de empresas estrangeiras estão fugindo da China; o oposto parece ser o caso", disse o economista dos Estados Unidos Nicholas Lardy.

Washington, 11 set (Xinhua) -- Apesar das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre as exportações chinesas para o país, parece, pelo menos até agora, que as empresas multinacionais, incluindo aquelas sediadas nos Estados Unidos, continuem a descobrir que a China é um "ambiente atraente para novo investimento", disse na terça-feira o economista dos Estados Unidos Nicholas Lardy.

Em um artigo intitulado "as empresas estrangeiras realmente estão deixando a China em multidões?", Lardy, membro sênior do Instituto de Peterson para Economia Internacional baseado em Washington D.C., rejeitou a alegação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o "êxodo de empresas estrangeiras", junto com outros fatores, está colocando crescente pressão econômica na China e deste modo tornando o país asiático ansioso em atingir um acordo com os Estados Unidos.

Trump, "ao defender sua guerra comercial com a China, mais uma vez deixou seus dedos do Twitter ir antes da realidade", comentou o veterano observador sobre a China, referindo-se a um tweet em agosto, em que o presidente disse que "a China quer muitíssimo fazer um acordo. Milhares de companhias estão saindo por causa das tarifas, eles devem parar com o fluxo".

Primeiro, argumentou Lardy, a guerra comercial não diminuiu o investimento direto estrangeiro (IDE) na China e "não há apoio para a opinião de que grandes números de empresas estrangeiras estão fugindo da China; o oposto parece ser o caso".

O IDE não financeiro entrando na China tem atualmente uma taxa anual de quase US$ 140 bilhões, o que significa que milhares de novas empresas estrangeiras são estabelecidas na China todo mês, disse Lardy. Além disso, desde o começo da guerra tarifária em meados de 2018, o IDE se expandiu em cerca de 3% anualmente, aproximadamente o mesmo ritmo que nos cinco anos anteriores, lembrou.

Sapatos feitos na China são exibidos no Offprice Show, em Las Vegas, EUA, em 11 de agosto de 2019. (Xinhua/Li Ying)

Segundo, disse Lardy, anedotas de empresas deixando a China não confirma uma tendência ampla. Empresas estrangeiras vêm saindo da China há décadas, explicou, pois algumas fracassaram em cumprir suas estratégias comerciais e saíram, e outras, especialmente aquelas exportando principalmente os bens de consumo de trabalho intensivo, transferiram a produção para outros países com salários muito mais baixos.

Em terceiro lugar, segundo Lardy, uma grande proporção das empresas estrangeiras na China, especialmente as norte-americanas, está no país principalmente para produzir bens para vender no mercado chinês "ainda em rápido crescimento", observando que essas empresas "não têm nenhum incentivo" para se reassentar dentro da Ásia, muito menos para os Estados Unidos.

Em quarto lugar, disse Lardy, "realocar a produção para fora da China é mais fácil dizer do que fazer". O economista assinalou que as filiais estrangeiras na China aproveitam uma extensa cadeia de fornecimento local, desenvolvida ao longo das décadas, e empregam cerca de 25 milhões de trabalhadores chineses, uma fatia significativa dos quais são engenheiros e gerentes qualificados.

O Vietnã é frequentemente mencionado como uma alternativa, mas ele é "pequeno demais para absorver mais de uma fração minúscula da produção" pelas empresas estrangeiras atualmente na China, acrescentou Lardy.

A reivindicação de Trump de que um "êxodo de empresas estrangeiras" forçará a China a ceder às demandas dos Estados Unidos para solucionar a guerra comercial é "pensamento fantasioso" na melhor das hipóteses, afirmou Lardy, acrescentando que também é muito provável que não será "cumprida" a afirmação do presidente de que suas tarifas sobre os bens chineses inverterão o declínio de décadas na fatia de emprego dos EUA em manufatura.

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