Lula sobre vazamentos de mensagens de Moro: "A verdade fica doente, mas não morre"

2019-06-12 13:46:40丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 11 jun (Xinhua) -- O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira que "a verdade fica doente, mas não morre", ao comentar o conteúdo das mensagens vazadas que provariam uma coordenação entre o ex-juiz Sérgio Moro, atual ministro da Justiça, e o promotor Deltan Dallagnol para condená-lo à prisão na Operação Lava-Jato.

O comentário do ex-presidente foi feito a seus advogados, Roberto Batocchio e Cristiano Zanin Martins, que o visitaram em uma sala, transformada em cela, na Superintendência da Polícia Federal, de Curitiba, onde cumpre pena desde 7 de abril de 2018.

Segundo os advogados, Lula disse estar surpreso com o grau de "promiscuidade" da relação entre os integrantes da força-tarefa da Operação Lava-Jato e o ex-juiz Moro, revelada pela divulgação de conversas entre ambos pelo site The Intercept Brasil no último domingo.

"Lula se surpreendeu com o conteúdo, mas sempre soube que não recebia um tratamento imparcial e de acordo com as leis", disse Zanin à imprensa.

Foi a primeira reunião do líder do Partido dos Trabalhadores (PT), que governou o país entre 2003 e 2010, com seus defensores, desde que o site revelou vazamentos de conversas realizadas através do aplicativo de bate-papo Telegram, nas quais Moro discute a estratégia de acusação contra Lula com Dallagnol, algo que fere o princípio de imparcialidade exigido de um magistrado.

Segundo Zanin, o conteúdo das reportagens divulgadas pelo The Intercept confirmam que o ex-presidente não teve direito a um julgamento imparcial.

"O material mostra que o ex-juiz Sérgio Moro não atuou como um juiz equidistante. Atuou como um coordenador da acusação, que depois proferiu um veredicto que ele próprio ajudou a construir", afirmou o advogado.

Zanin disse ainda que o teor das conversas deve ser usado por recursos que a defesa do ex-presidente apresentará à Justiça em busca de sua liberdade e que a estratégia para apresentação desses recursos ainda está em discussão pela equipe que defende Lula.

O ex-presidente foi condenado por Moro em primeira instância ao aceitar a denúncia feita pela força-tarefa encabeçada por Dallagnol segundo a qual Lula teria recebido um apartamento da construtora OAS como propina, em troca de favores em contratos com a Petrobras, algo que não consta das provas.

O caso foi para o tribunal de apelações que confirmou a sentença da primeira instância e ainda aumentou a pena para 12 anos e um mês, reduzida para 10 anos e nove meses em maio passado pelo Superior Tribunal de Justiça, correspondente à terceira instância.

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