Ministro da Justiça do Brasil nega ter orientado promotores da Lava Jato

2019-06-11 13:46:40丨portuguese.xinhuanet.com

Brasília, 10 jun (Xinhua) -- O Ministro da Justiça e Segurança Pública brasileiro negou nesta segunda-feira ter orientado os promotores do grupo de trabalho da Operação Lava Jato sobre como deveriam agir para obter a condenação de pessoas acusadas, entre elas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso desde abril de 2018.

Moro, que assumiu o cargo no início do governo Jair Bolsonaro era até novembro de 2018 o juiz federal da primeira instância em Curitiba, capital do estado do Paraná, responsável por julgar os acusados no suposto esquema de corrupção que resultou na condenação de políticos, empresários e executivos de empresas estatais, como a Petrobras.

"Não há nenhuma orientação (aos promotores) nas mensagens", disse Moro, se referindo a extratos de conversações atribuídas a ele e a membros da Lava Jato.

O conteúdo de parte das conversas, que teriam sido obtidos por uma "fonte anônima" foi divulgado no domingo, no portal de notícias The Intercept Brazil.

Após participar da abertura da reunião do Conselho Nacional de Secretários de Estado de Justiça, Cidadania, Direitos Humanos e Administração Penitenciária (CONSEJ), em Manaus, Moro afirmou à imprensa que as conversas não continham nada significativo.

"Não vi nada de mais nas mensagens. O que existe é uma invasão criminosas dos telefones celulares dos promotores, o que, para mim, é um fato muito grave. A invasão e a revelação. Sobre o conteúdo, no que me diz respeito, não vi nada de mais", acrescentou.

Segundo a equipe do The Intercept, as cópias das mensagens que o juiz e os promotores trocaram através de uma aplicação de chat por celular foram entregues por uma fonte que pediu sigilo.

Os editores disseram que haveria uma "colaboração proibida" entre o então juiz federal, responsável por julgar casos da Lava Jato em Curitiba e os promotores responsáveis por acusar os suspeitos de serem parte do esquema de corrupção.

"Nem sequer posso dizer que (as mensagens) são autênticas porque são coisas que aconteceram, e aconteceram, a anos atrás. Não tenho mais essas mensagens, porque não as guardo. Não tenho registro disso", disse Moro que insistiu não haver indícios de que tenha orientado o trabalho dos promotores.

"Os juízes falam com promotores, advogados, agentes da polícia... É normal", comentou.

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