Justiça brasileira aceita nova denúncia contra ex-presidente Temer
Rio de Janeiro, 6 mai (Xinhua) -- A Justiça brasileira aceitou nesta segunda-feira denúncia da promotoria contra o ex-presidente Michel Temer (2016-2018) por organização criminosa e obstrução de justiça, que o converteu em réu pela sexta vez, informaram fontes oficiais.
O juiz Marcus Vinicius Reis Bastos, da Justiça Federal em Brasília, aceitou a denúncia que tinha sido apresentada em 2017 pelo então Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, contra Temer e dois de seus ex-ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Wellington Moreira Franco (Minas e Energia), acusados de formar uma organização criminosa e tentar obstruir as investigações da Operação Lava Jato.
Em outubro de 2017, a maioria da Câmara dos Deputados rejeitou a denúncia contra o então presidente, impedindo que as acusações chegassem ao Supremo Tribunal Federal (STF), única instância que pode julgar um presidente e ministros no exercício do cargo, ficando essa suspensa até que Temer deixasse a presidência, o que aconteceu em 1º de janeiro passado, quando foi substituído por Jair Bolsonaro.
Ainda em janeiro, a denúncia foi enviada à primeira instância judicial e, no mês passado, o Ministério Público Federal em Brasília ratificou as acusações.
A denúncia surgiu em 2017, depois que o empresário Joesley Batista, dono do Grupo J&F, divulgou uma conversa que gravou na residência de Temer, na qual comentava sobre várias ilegalidades que seriam de conhecimento do presidente e aceitas por ele.
Na denúncia, o Ministério Público acusou Temer de estimular Batista a pagar "vantagens indevidas" ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do mesmo partido de Temer e instigador do processo de impeachment que acabou na destituição da então presidente Dilma Rousseff, para que não chegasse a um acordo de delação premiada com a Justiça.
Durante a conversa, Temer diz a Batista "tem que manter isto", em uma alusão aos supostos pagamentos feitos a Cunha, que está preso desde 2016, em troca de seu silêncio.
A defesa de Temer afirmou em um comunicado que o ex-presidente "nunca integrou uma organização criminosa, nem obstruiu a Justiça e por isso, também essa acusação será desmascarada a seu tempo".
Temer, de 78 anos,é réu em outros cinco processos judiciais, por corrupção, lavagem de dinheiro e peculato e ainda tem três causas abertas.
O ex-presidente foi preso dia 21 de março em São Paulo por supostas irregularidades na construção da usina nuclear Angra 3, no estado do Rio de Janeiro, juntamente com outras nove pessoas, entre elas Moreira Franco. Após passar quatro dias na cadeia, Temer e os outros detidos receberam um 'habeas corpus' de um tribunal de apelações e deixaram a prisão.
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