Fórum de Think Tanks Brasil-China busca estreitar laços e cooperação

2019-04-30 10:31:48丨portuguese.xinhuanet.com

Por Janaína Camara da Silveira

Brasília, 29 abr (Xinhua) -- O embaixador da China no Brasil, Yang Wanming, acadêmicos e diplomatas chineses receberam no último final de semana, em Brasília, profissionais de diversas áreas de atuação e conhecimento do Brasil relacionados às questões sino-brasileiras para o Fórum de Think Tanks Brasil-China.

O objetivo do encontro foi estreitar os laços entre profissionais chineses e brasileiros em um ano especialmente importante: em agosto será celebrado o 45º aniversário das relações entre os dois países, e o Brasil será sede da 11ª Cúpula do BRICS, a ser realizada em novembro.

Yang destacou o momento estável e satisfatório da relação com o Brasil, tendo como perspectiva diversos encontros de alto nível entre autoridades dos dois países ainda neste ano. O presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, deverá visitar a China no segundo semestre, como lembrou o embaixador, que considera fundamental o aprofundamento de contatos entre chineses e brasileiros para mais entendimento e trocas.

Seu antecessor, Li Jinzhang, enviou uma mensagem ao encontro, destacando também oportunidades que o Brasil pode buscar junto à China, especialmente no âmbito da Iniciativa do Cinturão e Rota, arcabouço de projetos desenvolvidos por meio de financiamento do governo chinês para a promoção da infraestrutura. Segundo Li, dos mil projetos em andamento hoje, cem estão localizados na América Latina. "É uma chance real de progresso para todos os participantes, num plano que engloba inovação científica e tecnológica e oportunidades estratégicas de desenvolvimento", afirmou Li em sua mensagem.

Para a professora de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), Danielly Ramos Becard, tanto o BRICS quanto a Iniciativa do Cinturão e Rota são fundamentais para o Brasil. Mediando o debate na última semana, a acadêmica disse também que acredita numa relação baseada em ganha-ganha quando analisa os laços entre Brasil e China. Integrante da Rede Brasileira de Estudos da China (RBChina), ela afirma que esforços para unir sociedades e aumentar o entendimento mútuo são essenciais no atual momento.

Para ampliar o entendimento e alavancar as relações, o acadêmico Jiang Shixue, da Academia Chinesa de Ciências Sociais, acredita que seja necessário, principalmente, a confiança política entre as partes, a cooperação econômica e as trocas entre pessoas. Ao se referir a mecanismos já existentes, ele aposta na institucionalização cada vez mais enraizada a fim de se buscarem melhores resultados. Como exemplo, citou o BRICS, que reúne além da China e Brasil, também Índia, Rússia e África do Sul. Ele acredita que Macau (China) deveria sediar um secretariado do grupo, a fim de se incrementar as negociações já existentes.

A entrada na segunda década de encontros dos BRICS - em novembro, ocorrerá a 11ª Cúpula no Brasil - foi, aliás, ponto de grande atenção durante as discussões do Fórum. A expectativa é de que o grupo se fortaleça ao longo dos próximos anos.

China e Brasil têm uma parceria sólida no que tange ao comércio, tendo celebrado no ano passado negócios superiores a US$ 100 bilhões. No campo dos investimentos, são mais de US$ 70 bilhões investidos por empresas chinesas no Brasil. É uma parceria consistente que, segundo o embaixador chinês e acadêmico Su Ge deve se aprofundar, especialmente, como notou, em "um momento em que países em desenvolvimento formam um grupo em um mundo diverso, com uma geopolítica diferente àquela de algumas décadas atrás, quando a China dava início ao seu processo de reforma e abertura". De acordo com Su, há complementaridades entre Brasil e China, afinal, poucos países podem comprar e vender nos volumes em que se negociam bens brasileiros e chineses.

Segundo o ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDES), Dyogo Oliveira, também presente ao evento, o Brasil é historicamente aberto ao investimento internacional, tendo tanto com a China quanto com outros países, um tratamento igualitário e pacífico. No entanto, o Brasil muitas vezes é reativo e, neste sentido, Oliveira acredita que a China pode e deve ser mais propositiva, a fim de objetivar novas parcerias e negócios. Segundo ele, este pode ser o caminho para mecanismos mais objetivos e, neste sentido, efetivos.

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com

010020071380000000000000011100001380243071