Chef brasileira Morena Leite abre festival gastronômico em Beijing
Por Zhou Yongsui e Zhu Yilin
Beijing, 1º abr (Xinhua) -- Beijing recebeu neste sábado o Festival de Comida Brasileira no Museu de Arte Minsheng. A chef Morena Leite falou sobre as culinárias brasileira e chinesa e preparou alguns pratos tipicamente brasileiros para o público ali presente.
Compartilhando um pouco da sua filosofia gastronômica, Morena disse que para ela a cozinha é uma mistura de amor, técnica, planejamento e intuição. "É a transação de sabores e saberes de um povo, de uma raça, de uma família e de uma religião".
Formada pela escola gastronômica mais famosa e renomada do mundo, a Le Cordon Bleu, Morena Leite aprendeu a valorizar a cultura de um país a partir de seus ingredientes locais. Foi partir daí que nasceu a sua característica culinária: a utilização da técnica francesa com ingredientes brasileiros.
Em 1999, Morena inaugurou o restaurante Capim Santo na cidade de São Paulo. Ela abriu também a Escola de Cozinha Sabores e Saberes e participou de um programa chamado "Taste it", do antigo canal de TV Glitz, no qual procurava por ingredientes locais e raízes de diferentes culturas em todo o Brasil.
Morena utilizou muitas vezes a palavra "mistura". "Entendi que a minha cultura não tem uma identidade pura e única, "nós somos um país de misturas, uma raça de imigrantes que começou primeiramente com a cultura indígena, africana e portuguesa e depois se integrou com a China, Japão, países árabes e o restante dos outros países europeus", disse Morena.
A ser perguntada sobre qual é o ingrediente brasileiro mais típico, Morena disse ser a farofa. Apesar de ser um ingrediente muito comum, a farofa desempenha um papel significativo na culinária brasileira.
Esta é a quarta vez que Morena visita a China. Quando perguntada sobre o seu prato favorito no país asiático, ela respondeu "Pato de Pequim". Durante o jantar preparado pela Morena no restaurante Mosto em Beijing na sexta-feira, ela preparou um novo prato combinando a farofa brasileira com o pato de Pequim.
Wang Yifan, que participou do evento, disse que planeja estudar no Brasil e quer pesquisar qual a opinião que os brasileiros têm dos restaurantes chineses locais e como eles podem conhecer a cultura chinesa através da culinária chinesa. "Acho que a gastronomia é uma chave para abrir a porta dos intercâmbios culturais entre os dois países. Espero que mais brasileiros possam provar a comida chinesa e através dela conhecer a cultura chinesa", disse.
De acordo com Morena, muitos brasileiros gostam da comida chinesa por causa da influência dos chineses que moram no Brasil. Ela acredita que a gastronomia pode aproximar mais os dois países e permitir que os dois povos conheçam melhor a cultura um do outro.
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