Estudo mostra ligação entre pouco sono profundo e sinais precoces da doença de Alzheimer

2019-01-12 15:01:55丨portuguese.xinhuanet.com

Chicago, 10 jan (Xinhua) -- Pesquisadores da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em Saint Louis, descobriram que pessoas mais velhas que têm pouco sono de ondas lentas, o sono profundo necessário para consolidar memórias e acordar sentindo-se revigorado, têm níveis mais elevados da proteína cerebral do tipo “tau”, um tau elevado é sinal da doença de Alzheimer e tem sido ligado a danos cerebrais e declínio cognitivo.

Para entender melhor a ligação entre o sono e a doença de Alzheimer, os pesquisadores estudaram 119 pessoas com idade acima de 60 anos, das quais 80% eram cognitivamente normais, e o restante era muito pouco prejudicado.

Os pesquisadores monitoraram o sono dos participantes em casa, ao longo de uma semana normal. Os participantes receberam um monitor portátil de EEG presos em suas testas para medir suas ondas cerebrais enquanto dormiam, assim como um sensor semelhante a um relógio de pulso que acompanha o movimento do corpo. Eles também mantinham registros do sono, onde faziam anotações das sessões noturnas de sono e cochilos diurnos. Cada participante produziu pelo menos duas noites de dados, alguns tiveram até seis.

Os pesquisadores também mediram os níveis de beta amilóide e tau no cérebro e no líquido cefalorraquidiano que banham o cérebro e a medula espinhal. Trinta e oito pessoas foram submetidas a tomografias do cérebro de PET para as duas proteínas; 104 pessoas foram submetidas a punção lombar para fornecer líquido cefalorraquidiano para análise; e 27 fizeram ambos.

Depois de controlar fatores como sexo, idade e movimentos durante o sono, os pesquisadores descobriram que a diminuição do sono de ondas lentas coincidiu com níveis mais elevados de tau no cérebro e uma maior razão tau-por-amilóide no líquido cefalorraquidiano.

"A questão é que não foi a quantidade total de sono que foi ligada à proteína tau, foi o sono de ondas lentas, que reflete na qualidade do sono", disse o primeiro autor Brendan Lucey, professor assistente de neurologia e diretor do centro de Medicina do sono da Universidade de Washington. "Pessoas com maior patologia tau dormiam mais à noite e dormiam mais durante o dia, mas não dormiam tão bem".

As mudanças cerebrais que levam à doença de Alzheimer, uma doença que afeta cerca de 5,7 milhões de americanos, começam lentamente e em silêncio. Demora até duas décadas até que apareçam os sintomas característicos de perda de memória e confusão, e a proteína beta amilóide comece a se coletar em placas no cérebro.

"Medir como as pessoas dormem pode ser uma maneira não invasiva de rastrear a doença de Alzheimer com antecedência, ou assim que as pessoas comecem a desenvolver problemas cognitivos ou de memória", disse Lucey.

No entanto, os pesquisadores não esperam que o monitoramento do sono substitua os exames cerebrais ou análise do líquido cefalorraquidiano para identificar os primeiros sinais da doença de Alzheimer, embora possa complementá-los.

As conclusões foram publicadas dia 9 de janeiro na “Science Translational Medicine”.

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