Bolsonaro, presidente eleito do Brasil, enfrenta desafio de estimular recuperação econômica

2018-10-30 14:59:09丨portuguese.xinhuanet.com

Brasília, 28 out (Xinhua) -- A lenta recuperação econômica do Brasil será um dos desafios mais urgentes do presidente eleito do país, Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal.

Durante sua campanha eleitoral, Bolsonaro propôs liberalizar a economia e estimular o investimento do setor privado, o que o ajudou a angariar o apoio do mercado financeiro.

Seu assessor econômico, Paulo Guedes, um economista ultraliberal formado pela Universidade de Chicago, pretende liderar um programa de reformas para estimular a recuperação econômica.

A agenda de Guedes diz "privatizar tudo", introduzindo uma reforma tributária e previdenciária, abrindo a economia e reduzindo o papel do Estado na economia a um "mínimo".

No entanto, os diferentes grupos de interesse que a campanha de Bolsonaro colheu para ganhar a eleição indicam que muitos desses objetivos encontrarão resistência substancial.

O principal apoio do novo governo vem do agronegócio e da indústria, dos líderes das igrejas evangélicas, das forças armadas e do setor de segurança, bem como do mercado financeiro, cada um com suas próprias demandas, às vezes opostas.

Essa diferença de opinião tornou-se evidente durante a campanha, levando Bolsonaro a ordenar que tanto Guedes quanto seu companheiro de chapa, o general aposentado Hamilton Mourão, parassem de falar com a imprensa.

Como resultado, a sociedade em geral e os principais atores econômicos ainda não estão certos sobre as políticas econômicas da nova administração.

O mercado financeiro está preocupado com o comprometimento do governo com a realização de reformas e a melhoria do déficit público.

Por meio da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o setor industrial, que oficialmente apoiou Bolsonaro na semana passada, rejeitou o programa de privatização radical proposto por Guedes, dizendo que fecharia empresas e prejudicaria a economia.

Enquanto isso, o setor de segurança pública exigiria grandes investimentos em tecnologia, infraestrutura e salários para impulsionar os esforços de policiamento, como Bolsonaro quer fazer. Mas seus limites previstos em gastos públicos parecem excluir isso.

O economista José Luiz Pagnussat, membro do Conselho Econômico Federal (Cofecon), espera que a política econômica da próxima administração seja criada com base no resultado das negociações parlamentares e nas diferentes demandas dos partidários de Bolsonaro.

"No processo de tomada de decisão no Brasil, a maioria das coisas tem que passar pelo Congresso Nacional, e o grupo que apoia Bolsonaro não compartilha a mesma visão radical, então, não será capaz de aprovar medidas tão agressivas quanto as que eles estavam propondo ", disse Pagnussat.

"O governo vai tender para o liberalismo, com redução em alguns ministérios, como foi proposto no início da campanha. Ao longo da duração da campanha, houve retificações e, a partir de agora, elas devem ser maiores", acrescentou.

Pagnussat acredita que o crescimento econômico será retomado, não importa quem esteja no cargo, embora as políticas façam a diferença.

"Há um cenário de forte retomada da produção", disse ele, mas o que influenciará esse crescimento será "o teto dos gastos, que é um fator limitante".

A incapacidade de aprovar as reformas previdenciárias também será um fator, disse ele.

Bolsonaro convidou membros que são responsáveis pela política fiscal do atual governo a se juntarem à sua equipe, incluindo o secretário do Tesouro, Mansueto Almeida.

A maioria espera que o novo governo amplie as concessões de infraestrutura e realize alguma privatização, com a participação do capital estrangeiro.

"Se as ideias de Paulo Guedes forem implementadas, haverá uma abertura radical da economia, algo que eu acho que não vai acontecer", disse Pagnussat.

No final, deve haver um compromisso entre o objetivo de abrir ainda mais a economia e o desejo de atender aos interesses de diferentes grupos que o elegeram, conclui Pagnussat.

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