Primeiro-ministro da Etiópia promete não prejudicar participação do Egito na água do Nilo

2018-06-11 20:32:06丨portuguese.xinhuanet.com

Cairo, 10 jun (Xinhua) -- O primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed Ali, prometeu no domingo que a Etiópia não irá prejudicar a participação do Egito na água do rio Nilo através da construção da Grande Barragem Etíope (DRGE).

Suas declarações foram feitas em uma coletiva de imprensa conjunta no Cairo com o presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sisi, após as negociações sobre a barragem gigante que está sendo construída no rio Nilo.

"Juro por Alá que a Etiópia não causará nenhum dano à água do Egito", disse o primeiro-ministro etíope em sua primeira visita ao Cairo desde que assumiu o poder em abril.

O país acima da Bacia do Nilo, Etiópia, e o à jusante, Sudão, vêem enormes benefícios na construção da GERD, enquanto o Egito, também à jusante, está preocupado que possa afetar a sua quota anual de 55,5 bilhões de metros cúbicos da água do rio.

De sua parte, Sisi descreveu as relações do Egito com a Etiópia como "estratégicas", prometendo manter a cooperação com o lado etíope para os melhores interesses de ambas as nações.

"Gostaria de reiterar que a relação entre o Egito e a Etiópia é uma relação de parceria estratégica, e que a política estratégica do Egito é aumentar os interesses comuns com a Etiópia em todos os campos", disse o presidente egípcio em entrevista coletiva.

A visita de Ali aconteceu três semanas depois de um avanço nas negociações durante uma reunião ministerial trilateral de nove membros, realizada em Adis Abeba em meados de maio, que incluiu os ministros de Relações Exteriores, os de recursos hídricos e os chefes dos serviços de inteligência de Egito, Etiópia e Sudão.

"A visita é importante porque é a primeira visita do primeiro-ministro etíope ao Cairo e revelará sua visão sobre a questão da represa", disse Hani Raslan, chefe do departamento de estudos do Sudão e da Bacia do Nilo, no Centro de Políticas e Estudos Estratégicos Al-Ahram, no Cairo.

Durante a reunião em Addis Ababa, os três estados concordaram em formar um grupo de estudo científico para consulta sobre a construção e preenchimento de reservatórios e realizar uma cúpula entre os líderes dos três países a cada seis meses.

Uma reunião ministerial semelhante em abril na capital sudanesa Cartum, não conseguiu chegar a um acordo sobre questões técnicas relativas à GERD, com a Etiópia e o Sudão responsabilizando o Egito pelo fracasso da conversa, e o Egito rejeitando a culpa e convidando para mais conversas no Cairo.

"As reuniões dos comitês ministeriais são incapazes de fazer grandes avanços sem consenso no nível das lideranças políticas", disse Raslan à Xinhua.

"Acredito que a visita é exploratória e pretende garantir entendimentos prévios e criar novos", acrescentou o especialista, observando que a Etiópia já concluiu 65% da construção da barragem.

O GERD será a maior barragem da África após a conclusão, com um volume total de 74 bilhões de metros cúbicos e um custo de construção de cerca de 4,7 bilhões de dólares americanos. Espera-se que produza cerca de 6.000 megawatts de eletricidade para a Etiópia.

Os laços do Egito com a Etiópia têm visto altos e baixos desde que o país iniciou o projeto da barragem, em abril de 2011, enquanto o Egito sofria turbulências após uma revolta que derrubou o ex-presidente Hosni Mubarak.

Quando o presidente Sisi assumiu o cargo em 2014, ele mostrou compreensão da aspiração de desenvolvimento da Etiópia através da nova barragem.

Em março de 2015, os líderes da Etiópia, Egito e Sudão assinaram um acordo inicial de cooperação sobre os princípios para compartilhar a água do rio Nilo e a construção da DRGE.

Eles também se encontraram em janeiro, em Addis Ababa, à margem da 30ª Cúpula da União Africana, e concordaram em evitar mal-entendidos por meio da cooperação conjunta em torno de interesses comuns em meio à construção do GERD.

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