Casa Branca critica Trudeau sobre declarações na Cúpula do G7

2018-06-11 20:32:05丨portuguese.xinhuanet.com

Washington, 10 jun (Xinhua) -- Dois altos funcionários da Casa Branca criticaram neste domingo o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, por suas declarações anteriores durante a recém-concluída cúpula do Grupo dos Sete (G7).

Trudeau anunciou no sábado que todos os membros do G7 endossaram o comunicado conjunto; no entanto, ele observou que as tarifas dos EUA são "insultantes" e que o Canadá "não será forçado".

As observações enfureceram o presidente dos EUA, Donald Trump. Ele tuitou horas depois que instruiu os representantes dos EUA a não endossarem o comunicado conjunto do G7 "com base nas declarações falsas de Justin em sua coletiva de imprensa, e no fato de o Canadá estar cobrando altas tarifas para nossos agricultores, trabalhadores e empresas dos EUA".

Trump disse também que Trudeau é "desonesto e fraco", ele também ameaçou "tarifas sobre automóveis inundando o mercado dos EUA!"

Também em resposta, Larry Kudlow, diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, disse no domingo, em entrevista à CNN, que Trudeau traiu Trump com declarações "polarizadoras" sobre a política comercial dos EUA.

Ele acrescentou que a declaração de Trudeau tentou fazer pressão sob Trump antes de seu encontro com Kim Jong Un, o principal líder da Coreia do Norte (RPDC) em Singapura.

"Ele meio que nos apunhalou pelas costas", disse ele, acrescentando que Trump "não vai deixar um primeiro-ministro canadense pressioná-lo na véspera disso [...] ele não vai permitir nenhuma demonstração de fraqueza na viagem para negociar com a Coreia do Norte ".

Dizendo que as declarações de Trudeau são "amadoras" e "secundaristas" apenas "para consumo doméstico", Kudlow disse que foram as observações de Trudeau que fizeram com que Trump se retirasse do comunicado conjunto.

"Ele realizou uma conferência de imprensa e disse que os EUA estão insultando o Canadá. Ele disse que o Canadá tem que se defender. Ele diz que nós somos o problema com as tarifas. A parte não-factual disso é que eles têm enormes tarifas", disse Kudlow. "Não culpe Trump. Foi Trudeau quem começou a detonar Trump depois que ele saiu, depois que os acordos foram feitos."

O conselheiro comercial de Trump, Peter Navarro, também criticou no domingo as declarações de Trudeau, dizendo que elas foram feitas de "má fé" .

"Há um lugar especial no inferno para qualquer líder que se envolva em diplomacia de má fé com o presidente Donald J. Trump e tenta esfaqueá-lo pelas costas ao sair pela porta e é isso que a má-fé de Justin Trudeau fez em conluio com a imprensa, isso é o que Justin Trudeau, fraco e desonesto, fez", disse Navarro ao "Fox News Sunday.”

Trump "fez a cortesia para Justin Trudeau de viajar a Quebec para aquela cúpula. Ele tinha outras coisas, coisas maiores, no seu prato, como a Cúpula em Singapura [...] Ele fez um favor a ele e estava até disposto a assinar aquele comunicado socialista e o que Trudeau fez assim que o avião decolou do espaço aéreo canadense? Trudeau enfiou a faca nas costas do presidente . Isso não valerá", observou ele.

A decisão de Trump para retirar seu apoio ao comunicado atraiu críticas afiadas da Alemanha no domingo.

"Em questão de segundos, você pode destruir a confiança com 280 caracteres do Twitter", disse o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, quando questionado sobre a decisão de Trump. "Já vimos isso com o acordo climático ou com o acordo com o Irã."

A ministra do Exterior do Canadá, Chrystia Freeland, falou contra os Estados Unidos sobre suas tarifas sobre aço e alumínio na sexta-feira durante a cúpula do Grupo dos Sete (G7) em Charlevoix, Quebec.

"O Canadá não mudará de ideia quando se tratar da aplicação ilegal e absolutamente injustificada de tarifas sobre aço e alumínio, não apenas vindas do Canadá, mas também do aço e alumínio vendidos por todos os aliados do G7 que estão reunidos aqui, para os Estados Unidos", disse Freeland em uma entrevista coletiva na cúpula.

Observando que a imposição de tarifas dos EUA foi oficialmente declarada como uma consideração de segurança nacional, Freeland disse: "Para nós é muito claro que o Canadá não representa uma ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos. Pelo contrário, como parte da lei dos EUA, somos parte da base de defesa nacional dos Estados Unidos".

"O Canadá já levantou casos na OMC e no Nafta, e vamos retaliar", disse ela. "Mas nós dizemos isso com grande tristeza".

Na semana passada, o Canadá criticou a administração Trump anunciando tarifas retaliatórias de até US$ 12,6 bilhões em aço e alumínio dos EUA, bem como uma lista diversificada de outros produtos. Essas contramedidas devem entrar em vigor no dia 1º de julho.

James Brande, especialista em comércio internacional da Universidade de British Columbia, em Vancouver, disse que os comentários de Freeland eram significativos.

"Eu acho que ela está delineando a posição real do Canadá e os passos reais que foram dados e estão sendo tomados", disse Brande à Xinhua em uma entrevista.

O G7 inclui os sete principais países industrializados da Grã-Bretanha, Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Japão e Canadá.

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