Cientistas chineses pesquisarão amanhecer cósmico no lado escuro da Lua

2018-05-22 16:45:10丨portuguese.xinhuanet.com

Beijing, 22 mai (Xinhua) -- Como nosso universo surgiu da escuridão depois do Big Bang? Como as primeiras estrelas iluminavam o amanhecer cósmico?

Os cientistas chineses procurarão por respostas no lado escuro da Lua.

A China lançou na segunda-feira o Queqiao (Ponte de Pegas), satélite de retransmissão para ajudar na comunicação com a sonda lunar Chang'e-4, que deve fazer um pouso suave no lado escuro da Lua no fim deste ano.

Dois microssatélites, Longjiang-1 e Longjiang-2, também serão enviados para orbitar em torno da Lua para conduzir observação astronômica de onda ultra-longa, o que pode ajudar os cientistas a explorar o amanhecer do universo.

O universo entrou em sua "idade das trevas" depois do Big Bang. Com a ação das forças gravitacionais universais, a perturbação primordial gradualmente cresceu e levou à formação das primeiras estrelas e galáxias, proclamando o amanhecer do universo, disse Chen Xuelei, cosmologista dos Observatórios Astronômicos Nacionais, da Academia Chinesa de Ciências (ACC).

"O estudo do amanhecer cósmico é um novo foco nos círculos acadêmicos. Quando começou o amanhecer cósmico? Como as primeiras estrelas ascenderam? Quão grandes eram as estrelas mais antigas? Temos apenas conjeturas sobre essas dúvidas e precisamos da observação astronômica para nos ajudar a encontrar respostas", disse Chen.

Os cientistas especulam que durante o amanhecer do universo, o hidrogênio neutro pode ter gerado uma assinatura de absorção no comprimento de onda de 21cm.

"Isso é como a nuvem rosada do amanhecer. Estamos procurando por tais características do amanhecer cósmico por meio da observação astronômica de onda ultra-longa", disse Chen.

Cientistas dos Estados Unidos, Austrália, Índia e outros países instalaram instrumentos astronômicos em muitos lugares do mundo para procurar a "nuvem rosada", mas nenhum resultado confiável de observação foi alcançado até o momento.

A ionosfera, a parte ionizada da atmosfera superior da Terra, assim como a radiação eletromagnética gerada por atividades humanas na Terra, afetam gravemente as observações.

"Então precisamos ir para o espaço sideral para conduzir tal observação", explicou Chen.

Os astrônomos aspiram por um ambiente eletromagnético completamente quieto para detectar os sinais fracos emitidos pelos corpos celestiais remotos no espaço profundo.

O lado escuro da Lua é tal lugar, pois o corpo da Lua obstaculiza a interferência de rádio da Terra. E desde lá, os astrônomos podem pesquisar as origens e a evolução das estrelas e galáxias, dando uma olhadinha para o amanhecer ou até a idade das trevas do universo.

Nos anos 1970, os Estados Unidos enviaram dois satélites ao espaço, um dos quais voava na órbita da Lua, para conduzir observações astronômicas de onda ultra-longa. Mas com a restrição tecnológica daquela época, os resultados não eram satisfatórios, lembrou Chen.

Chen é integrante de um grupo de cientistas chineses e holandeses que propuseram um novo programa para enviar uma frota de satélites, incluindo um principal e diversos pequenos, para orbitar a Lua. Quando eles voarem para o lado escuro, conduzirão observações, e quando voarem para o lado próximo, enviarão dados para a Terra.

Os microssatélites Longjiang-1 e Longjiang-2, lançados juntos com o satélite de retransmissão para a Chang'e-4, farão um teste inicial para o programa.

Os microssatélites foram desenvolvidos em conjunto pelo Instituto de Tecnologia de Harbin e pelo Centro Nacional para Ciência Espacial da ACC. Chen liderará uma equipe de cientistas responsáveis pela análise dos dados.

"Explorar o amanhecer cósmico é nossa meta de longo prazo, e os Longjiang-1 e Longjiang-2 são apenas um experimento preliminar. Nós enfrentamos muitas restrições, pois os dispositivos nos microssatélites também poderiam gerar interferência eletromagnética notável, e o tempo para a observação não será longo o suficiente", explicou Chen.

Mas este experimento pode preparar a base para a exploração futura, acrescentou.

Os cientistas chineses começaram a desenvolver importantes tecnologias para utilização na exploração futura.

O satélite de retransmissão e o pousador da Chang'e-4 também têm espectrômetros de rádio de baixa frequência, desenvolvidos por cientistas holandeses e chineses, que conduzirão observações semelhantes para ajudar os cientistas a "escutar" os alcances mais profundos do universo. Fim

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