Brasileiros com menor escolaridade são mais propensos a saúde debilitada, segundo estudo

2018-05-17 14:57:23丨portuguese.xinhuanet.com

Chicago, 16 mai (Xinhua) -- Os brasileiros com menos escolaridade têm maior probabilidade de se reportarem com problemas de saúde, segundo um estudo da Universidade de Illinois (UI).

Para o estudo publicado no website da UI, pesquisadores utilizaram dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 1998, 2003 e 2008 e da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013. Os levantamentos incluíram fatores como níveis de escolaridade, emprego, raça, localização e saúde, enquanto os participantes relataram-se como estando em saúde "boa" ou "ruim".

No geral, a porcentagem de pessoas que se declararam com problemas de saúde era relativamente pequena, sendo a mais alta de 5,9% em 2013. Entretanto, quando os pesquisadores separaram os entrevistados por nível de educação, eles descobriram que quanto menos educação um grupo tinha, maior a porcentagem de saúde ruim autorreferida.

O gradiente foi nítido e consistente em todos os anos da pesquisa: aqueles com pouca educação tinham sete a nove vezes mais probabilidade de relatar problemas de saúde do que aqueles com pelo menos alguma faculdade.

"Muitas vezes, aqueles com menor escolaridade experimentam pior emprego com salários mais baixos, piores condições de trabalho e menos acesso a cuidados de saúde do que aqueles com mais educação", disse Flávia Cristina Drumond Andrade, professora de cinesiologia e saúde comunitária. "Eles também podem se envolver em comportamentos de estilo de vida pouco saudáveis, em parte devido ao menor conhecimento sobre a saúde e em parte devido a restrições econômicas."

Ao longo dos anos pesquisados, o Brasil passou por um período de desenvolvimento educacional. A porcentagem de pessoas que concluíram o ensino médio aumentou de 13,9% em 1998 para 28,6% em 2013, e a porcentagem de pessoas com alguma faculdade ou mais subiu de 9% para 19,1%. No entanto, a porcentagem geral de saúde ruim auto-relatada não variou muito, e até aumentou um pouco em 2013.

Os pesquisadores também notaram uma diferença nos relatórios de saúde ao longo do tempo, de acordo com os níveis de educação.

"Houve um agravamento da saúde percebida pelos cuidadores entre aqueles com educação primária ou secundária. Isso é importante porque a maioria dos brasileiros está nesse grupo, 74,8% em 1998 e 68% em 2013." Enquanto isso, pesquisadores não visualizaram esse padrão entre aqueles com alguma faculdade ou mais. Para eles, os níveis ruins de saúde auto-relatada não mudaram.

Os pesquisadores postulam que essas mudanças podem estar relacionadas à desaceleração do crescimento econômico que o Brasil experimentou nos dois últimos ciclos de pesquisa.

O envelhecimento da população também pode ser uma razão, já que a idade média dos entrevistados aumentou ao longo do período do estudo.

"Com o aumento da idade, há também aumentos na autopercepção da saúde ruim [...] também há aumento na prevalência de algumas condições crônicas, o que também impacta na percepção de saúde", disse Andrade.

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