Destaque: Chefe da OTAN visitará Turquia sobre crise na Síria após ataques aéreos liderados pelos EUA

2018-04-17 13:53:07丨portuguese.xinhuanet.com

Ancara, 15 de abril (Xinhua) -- O secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, fará uma visita à Turquia, na segunda-feira, para se reunir com líderes turcos em meio a tensões internacionais desencadeadas pelos ataques aéreos da coalizão liderada pelos EUA na Síria.

Espera-se que Stoltenberg encontre o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, o chanceler Mevlut Cavusoglu, o ministro da Defesa, Nurettin Canikli, e o chefe do Estado-Maior, Hulusi Akar, durante sua breve visita a Ancara, capital da Turquia, para discutir a crise síria e alguns outros tópicos, segundo fontes diplomáticas.

O Ministério das Relações Exteriores da Turquia apoiou neste sábado os ataques aéreos liderados pelos EUA na Síria, dizendo que eles eram uma reação apropriada ao suposto ataque químico contra civis.

A Turquia foi pega no meio de uma briga, enquanto seu presidente parece atuar como mediador, tentando minimizar a situação que poderia levar a um conflito global mais amplo.

"Exigimos que seja demonstrada sensibilidade por todas as forças de coalizão, particularmente EUA e Rússia. Os desenvolvimentos atuais mostram que a tensão deve estar diminuindo", disse Erdogan a repórteres, na sexta-feira, sobre suas conversas telefônicas com seus colegas americanos e russos, Donald Trump e Vladimir Putin, antes dos ataques aéreos.

Depois dos ataques, Erdogan também falou com a primeira-ministra britânica, Theresa May, e o presidente francês, Emmanuel Macron.

Desde as suspeitas de armas químicas em Douma, na Síria, em 7 de abril, líderes turcos fizeram uma série de declarações condenando o ataque, conclamando a comunidade internacional a agir contra esse horror e culpando as forças do regime por estarem por trás disso.

Erdogan criticou que os EUA e a Rússia "confiem em seu poderio militar e transformem a vizinha Síria em um campo de luta". Mas ele também enfatizou que a Turquia não pretende abandonar sua aliança com os EUA, nem suas relações estratégicas com a Rússia para resolver problemas regionais.

"A Turquia tem uma posição única como mediadora nesta crise, porque somos honestos em nossos esforços para deter o derramamento de sangue em nosso vizinho", disse um funcionário do Partido da Justiça e Desenvolvimento (AKP) de Erdogan à Xinhua, depois dos ataques aéreos na Síria.

Ele também insistiu que os ataques aéreos não iriam interromper o processo de Astana na Síria, que foi negociado no ano passado entre Moscou, Ancara e Teerã.

A Turquia é pega no calor da crise síria, quando lançou uma ofensiva no final de janeiro na região noroeste de Afrin para extirpar uma milícia curda apoiada pelos EUA, considerada importante para sua segurança nacional.

Além disso, a Turquia abriga cerca de 3,5 milhões de sírios deslocados desde o início da guerra em 2011.

O vice-primeiro-ministro da Turquia, Bekir Bozdag, anunciou no sábado que a base aérea de Incirlik, na província de Adana, no sul do país, onde o serviço militar dos EUA foi destacado, não foi usada nos ataques aéreos na Síria.

Embora a Turquia seja membro leal da OTAN desde 1952, sua crescente cooperação de defesa com Moscou nos últimos anos provocou preocupações no bloco.

A cooperação turco-russa inclui um recente acordo de US $ 2 bilhões em sistemas de mísseis terra-ar S-400. Especialistas disseram que o acordo S-400 foi um verdadeiro golpe nos laços de Ancara com seus tradicionais aliados ocidentais.

Ao mesmo tempo, a colaboração militar com os EUA foi reduzida em meio a tensões e divergências muito tumultuadas sobre a guerra na Síria.

Especialista em relações internacionais da Turquia, o professor Togrul Ismayil, disse à Xinhua que o recente ataque não mudaria a política da Turquia na Síria.

"A Turquia deveria cooperar com os parceiros da Otan e com a Rússia ao mesmo tempo, mesmo se houvesse um equívoco em alguns círculos ocidentais de que Ancara estaria se voltando para o Oriente por conta de sua cooperação fortalecida com a Rússia", disse Ismayil.

"Este desacordo sobre o plano da Turquia em aumentar sua defesa aérea com ajuda de um país não pertencente à Otan, chega em um momento em que seu relacionamento com países ocidentais proeminentes se reduz a cada dia", disse Serkan Demirtas, comentarista do Hurriyet Daily News, à Xinhua.

"Todos esses fatores apóiam a descrição do chefe da OTAN sobre o problema da S-400 com a Turquia como uma questão difícil, mas, ao mesmo tempo, mostram que isso pode se tornar mais difícil", acrescentou.

As relações da Turquia com os EUA e países europeus atingiram um caminho difícil desde o fracassado golpe de julho de 2016, após o qual um ressentimento anti-ocidental foi alimentado no país em meio a desentendimentos sobre a forma como o governo de Erdogan lidou com o resultado da tentativa, com excessiva repressão contra suspeitos conspiradores de golpe.

O jornal pró-governo, Yeni Safak, admitiu que a Turquia estava em um dilema, comentando que este período pode representar um teste difícil para Ancara.

"Por um lado, há os Estados Unidos, que construíram sua política de assegurar a derrota da Turquia na Síria nos últimos cinco anos. Por outro lado, há a Rússia, cuja crueldade foi testada e confirmada, mas com quem a parceria no campo e na mesa permitiu o progresso ", disse o jornal.

Segundo alguns observadores, o chefe da Otan pedirá à Turquia que desfaça o acordo de mísseis russos S-400, uma medida que a Turquia não deve tomar.

"A Turquia precisa de um sistema de defesa aérea moderno para sua segurança nacional, o S-400 não será integrado ao sistema da OTAN (por problemas de compatibilidade), mas certamente será um impedimento contra grupos ou países desonestos que possam constituir uma ameaça balística à Turquia ", disse Ismayil.

Fale conosco. Envie dúvidas, críticas ou sugestões para a nossa equipe através dos contatos abaixo:

Telefone: 0086-10-8805-0795

Email: portuguese@xinhuanet.com

010020071380000000000000011100001371171271