Em foco: questões difícieis são destaque em cúpula árabe anual - longo caminho até soluções

2018-04-17 13:53:06丨portuguese.xinhuanet.com

Dhahran, Arábia Saudita, 15 de abril (Xinhua) -- Com quase todas as questões centrais reiteradas, a cúpula de um dia da Liga Árabe (LA) apresentou novamente suas posições para a região completamente caótica .

A crise síria, a questão de Jerusalém, a guerra do Iêmen, o papel do Irã... aparentemente deixando de ser manchete na mídia, mais uma vez atingiu os apelos dos líderes árabes na 29ª Cúpula da Liga Árabe, realizada no domingo, no leste da Arábia Saudita, em Dhahran, com a participação de líderes e chefes da organização mundial.

"CÚPULA PARA JERUSALÉM"

Todos os discursos proferidos durante a cúpula apresentaram um ponto de vista em comum: Jerusalém é a capital do Estado da Palestina.

O rei saudita, Bin Abdulaziz Al Saud, nomeou a cúpula deste ano como "Cúpula para Jerusalém" e anunciou uma ajuda de 200 milhões de dólares aos palestinos, dos quais 150 milhões de dólares irão para cursos religiosos e o restante para os refugiados palestinos.

O rei disse que "o caso palestino é nossa prioridade e assim permanecerá até que todos os palestinos conquistem seus direitos", ressaltando que Jerusalém é a capital do Estado da Palestina.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, apreciou o apoio da Arábia Saudita e de outros países árabes, e disse que os palestinos não hesitariam em lutar por seus direitos e proteger Jerusalém.

Ele ressaltou que Jerusalém Oriental foi e sempre será a capital da Palestina, e censurou a decisão do presidente dos EUA, Donald Trump, como uma violação do direito internacional em seu apoio contínuo a Israel, que comete crimes contra os palestinos.

"Eu soube que Israel está se candidatando a um assento no Conselho de Segurança da ONU, mas como isso pode acontecer quando sempre viola as resoluções da ONU?" Abbas questionou, conclamando todos os países árabes a bloquearem a oferta de Israel.

"É importante apoiar os palestinos e Abbas (presidente da Palestina)", disse o secretário-geral, Al Ahmed Aboul-Gheit.

O anúncio de Trump foi um grande revés no processo de resolver o conflito palestino-israelense.

Trump anunciou, em 6 de dezembro de 2017, reconhecer oficialmente Jerusalém como capital de Israel e instruiu a mudança da embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, o que imediatamente provocou fúria e condenação em todo o mundo árabe.

As coisas ficaram ainda piores depois que a "Grande Marcha de Retorno" de seis semanas dos palestinos, iniciada em 30 de março, que vem testemunhando a baixas causadas por confrontos entre manifestantes e soldados israelenses estacionados na Faixa de Gaza.

IRÃ COMO ARQUIRIVAL

Outro acordo entre os participantes é que o Irã é um arquirival comum.

O presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sisi, criticou os crimes do Irã no Oriente Médio, sugerindo que "há um país" estabelecendo poder no mundo árabe e mobilizando exército em dois países árabes (Iêmen e Síria).

"A crise do Iêmen precisa de uma solução política", acrescentou Al-Sisi. "O Egito não permitirá ataques dos Houthis contra a Arábia Saudita."

O rei também se opôs à interferência do Irã nos assuntos internos de outros governos, denunciando os "atos terroristas" do Irã e pedindo ao mundo árabe para ficarem contra o Irã.

Aboul-Gheit observou que as crises que confundem o Oriente Médio enfraquecerão toda a região, se não forem resolvidas.

Ele criticou o Irã por apoiar os rebeldes xiitas Houthi, que destroem o Iêmen e põem em perigo a fronteira com a Arábia Saudita, afirmando que os países árabes se unirão à Arábia Saudita contra o Irã.

O governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, apoiado pela coalizão liderada pela Arábia Saudita, vem lutando ao longo de três anos, enquanto o Houthi, apoiado pelo Irã, se rebela pelo controle do país.

Uma estatística mostra que mais de 10.000 pessoas, a maioria civis, foram mortas e cerca de 3 milhões foram deslocadas.

Os rebeldes houthi vêm disparando mísseis contra cidades, aeroportos e bairros civis da Arábia Saudita, a maioria dos quais teria sido interceptada pelo sistema de defesa aérea saudita.

OPINIÕES DIVERGENTES SOBRE A CRISE SÍRIA

No entanto, atitudes em relação à crise síria, especialmente na sequência do alegado uso de armas químicas, mostraram posições divergentes.

Palavras não foram poupadas sobre esta questão, uma vez que o anfitrião da cúpula da Arábia Saudita manifestou claramente forte apoio aos repentinos ataques aéreos lançados pelos Estados Unidos, Reino Unido e França, no sábado, sobre a Síria.

Enquanto isso, mais comentários divergentes foram feitos.

O rei da Jordânia, Abdullah II, disse que a crise na Síria deve ser resolvida por meio de negociações políticas, e não ações militares que possam aumentar os conflitos regionais.

A este respeito, as discussões de Astana, envolvendo apenas Rússia, Irã e Turquia, não devem substituir as negociações de Genebra, que conta com maior participação global - acrescentou.

O emir do Kuwait, o xeque Sabah Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, lamentou que o mundo tenha um duplo padrão na questão síria, dizendo que o Kuwait não hesitará em oferecer ajuda humanitária para reduzir a agonia do povo sírio.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki, e a alta-representante da União Européia para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Federica Mogherini, também participam da cúpula, após a qual uma declaração conjunta será divulgada no domingo.

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