Questões delicadas são destacadas na cúpula árabe anual, caminho longo para soluções tangíveis

2018-04-16 18:44:15丨portuguese.xinhuanet.com

Líderes e delegados de países árabes participam da 29ª Cúpula da Liga Árabe, na cidade de Dhahran, no leste da Arábia Saudita, em 15 de abril de 2018. A 29ª Liga Árabe (AL) teve início na cidade de Dhahran, no leste da Arábia Saudita, com líderes de 22 estados membros presentes. (Xinhua/SPA)

Dhahran, Arábia Saudita, 15 abr (Xinhua) -- Com quase todas as questões centrais reiteradas, a Cúpula da Liga Árabe (AL) de um dia apresentou novamente uma posição inabalável dos participantes, mas não uma saída clara para a caótica região.

A crise síria, a questão de Jerusalém, a guerra do Iêmen e o papel do Irã parecem nunca parar de encabeçar os principais relatos da mídia, e mais uma vez atingiu os apelos dos líderes árabes na 29ª Cúpula da AL realizada no leste da Dhahran, na Arábia Saudita, com chefes de organizações mundiais participando da reunião.

"CÚPULA PARA JERUSALÉM"

Todos os discursos proferidos durante a cúpula apresentaram um ponto de vista acordado: Jerusalém é a capital do Estado da Palestina.

O rei saudita, Salman bin Abdulaziz Al Saud, nomeou a cúpula deste ano como "A Cúpula para Jerusalém" e anunciou uma ajuda de 200 milhões de dólares americanos para os palestinos, dos quais 150 milhões de dólares americanos para curso religioso e o restante para refugiados palestinos.

O rei disse que "o caso palestino é nossa prioridade e permanecerá até que todos os palestinos conquistem seus direitos", ressaltando que Jerusalém é a capital do Estado da Palestina.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, apreciou o apoio da Arábia Saudita e de outros países árabes, e disse que os palestinos não hesitariam em lutar por seus direitos e proteger Jerusalém.

Ele ressaltou que Jerusalém Oriental tem sido e sempre será a capital da Palestina, e censurou a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como violação do direito internacional e seu contínuo apoio a Israel, que comete crimes contra os palestinos.

"Ouvi dizer que Israel está se candidatando a um assento no Conselho de Segurança da ONU, mas como isso pode acontecer quando sempre viola resoluções da ONU?" Abbas questionou, conclamando todos os países árabes a bloquearem o pedido de Israel.

"É importante apoiar os palestinos e Abbas (presidente da Palestina)", disse o secretário-geral da Al, Ahmed Aboul-Gheit.

Ele mencionou que houve um grande revés no processo de solução do conflito palestino-israelense por causa do anúncio de Trump.

Trump anunciou, em 6 de dezembro de 2017, seu reconhecimento oficial de Jerusalém como a capital de Israel e instruiu a mudança da embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém, o que prontamente provocou fúria e condenação em todo o mundo árabe.

As coisas ficaram ainda piores depois que a "Grande Marcha do Retorno" de seis semanas dos palestinos começou no dia 30 de março, que vem testemunhando as crescentes baixas causadas pelos confrontos entre manifestantes e soldados israelenses estacionados na área da fronteira na Faixa de Gaza.

IRÃ COMO PRINCIPAL INIMIGO

Outro consenso entre os participantes é que o Irã é um rival, e mais, um arquirrival.

O presidente egípcio, Abdel-Fattah al-Sisi, criticou os crimes do Irã no Oriente Médio, sugerindo que "há um país" estabelecendo poder no mundo árabe e mobilizando exército em dois países árabes (Iêmen e Síria).

"A crise do Iêmen precisa de uma solução política", acrescentou Sisi. "O Egito não permitirá nenhum ataque dos houthis contra a Arábia Saudita."

O rei também se opôs à interferência do Irã nos assuntos internos de outros estados, denunciando os "atos de terror" do Irã e pedindo o mundo árabe contra o Irã.

Aboul-Gheit observou que as crises que confundem o Oriente Médio deteriorarão ainda mais e enfraquecerão toda a região, se não forem controladas.

Ele criticou o Irã por apoiar os rebeldes xiitas Houthi, que dividem o Iêmen e põem em risco a fronteira com a Arábia Saudita, dizendo que os países árabes devem se unir à Arábia Saudita e contra o Irã.

O governo internacionalmente reconhecido do Iêmen, apoiado por uma coalizão liderada pela Arábia Saudita, vem lutando ao longo de três anos contra os rebeldes Houthi, que são apoiados pelo Irã, pelo controle do país.

Estatísticas da ONU mostram que mais de 10 mil pessoas, a maioria civis, foram mortas e cerca de 3 milhões deslocados.

Os rebeldes houthi têm disparado mísseis contra cidades sauditas, aeroportos e bairros civis, a maioria dos quais teria sido interceptada pelo sistema de defesa aérea saudita.

ATITUDES DIVERGENTES SOBRE A CRISE SÍRIA

No entanto, atitudes em relação à crise síria, especialmente na sequência do alegado uso de armas químicas, mostraram posições divergentes.

Poucos enunciados foram poupados para esta questão, já que o anfitrião da cúpula da Arábia Saudita manifestou claramente um forte apoio aos ataques aéreos repentinos lançados pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha e França na Síria no sábado.

Enquanto isso, mais comentários não alinhados foram feitos.

O rei da Jordânia, Abdullah II, disse que a crise na Síria deve ser resolvida por meio de negociações políticas, acima de quaisquer ações militares que possam aumentar os conflitos regionais.

A este respeito, as conversas de Astana envolvendo apenas a Rússia, Irã e Turquia não podem substituir as negociações de Genebra, que tem mais partidos globais, acrescentou.

O emir do Kuwait, Xeique Sabah Al-Ahmad Al-Jaber Al-Sabah, lamentou que o mundo tenha um duplo padrão na questão síria, dizendo que o Kuwait não hesitará em oferecer ajuda humanitária para aliviar a agonia do povo sírio.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki, e a alta-representante da União Europeia para Assuntos Exteriores e Política de Segurança, Federica Mogherini, também participaram da cúpula, após a qual uma declaração conjunta será divulgada no domingo.

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