Destaque: Memória colonial assombra visita do presidente francês Macron à Argélia

2017-12-07 16:10:57丨portuguese.xinhuanet.com

Argel, 6 dez (Xinhua) -- O presidente francês, Emmanuel Macron, fez nesta quarta-feira uma visita de um dia à Argélia para impulsionar as relações bilaterais e reforçar a cooperação em matéria de segurança, enquanto a memória do passado colonial da França na nação do norte da África estava novamente nos holofotes.

É a primeira visita de Macron ao país do norte da África, desde que assumiu o cargo sete meses atrás. Sua visita à Argélia havia sido programada para setembro, mas foi adiada.

Durante sua curta permanência na capital de Argel, Macron foi acompanhado por seu ministro das Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, e pelo ministro das Ações e Contas Públicas Gerard Darmanin, bem como por alguns parlamentares e artistas.

Espera-se que Macron se encontre com o presidente Abdelaziz Bouteflika e outras autoridades argelinas para discutir questões que incluam a avaliação do diálogo político bilateral e a cooperação econômica.

A cooperação de segurança e antiterrorismo, além da situação regional, também estará na agenda.

Até agora, Argélia e Paris não conseguiram normalizar suas relações bilaterais de longa data, já que os dois países ainda não conseguiram superar o passado "doloroso" ou a colonização francesa de 132 anos na nação do Norte da África.

Na Argélia, entende-se que as relações com a França só podem alcançar a normalização quando Paris reconhecer os crimes cometidos durante a era colonial e apresentar desculpas formais às vítimas do domínio colonial "brutal".

No entanto, Paris ainda considera o colonialismo uma era brilhante que trouxe "civilização" para outras áreas. Admite que "algumas atrocidades" foram cometidas, mas recusa-se a pedir desculpas por elas.

Tayeb Zitouni, ministro argelino dos Mujahedeen (veteranos de guerra), disse na semana passada que é legítimo que a Argélia exija desculpas da França por seus crimes coloniais.

"Nós não somos contra os franceses, mas sim contra o colonialismo francês e não vamos desistir de lutar por nossos direitos," disse Zitouni à rádio nacional local.

"As relações não podem ser boas sem a resolução da questão da memória colonial," observou.

A visita do jovem presidente francês à nação do norte da África pode marcar uma nova era nos laços bilaterais entre Paris e Argélia, se ele reconhecer e pedir desculpas pelos antigos atos coloniais.

Macron, de 39 anos, visitou Argélia no dia 13 de fevereiro como parte de sua campanha eleitoral para a presidência, quando disse a repórteres que a colonização francesa era um "crime contra a humanidade".

Apesar de sua declaração ter sido bem acolhida na Argélia, provocou indignação na arena política da França.

No entanto, o novo presidente francês recentemente fez declarações contraditórias, quando disse ao canal de TV francês Trace que não haverá nem "reconhecimento" nem "arrependimento" em relação ao colonialismo francês no continente africano.

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