DiDi e 99 explicitam oportunidades para Brasil e China na economia compartilhada

2017-10-11 08:19:26丨portuguese.xinhuanet.com

Por Janaína Camara da Silveira

China e Brasil têm muito a aprender um com o outro, e a cooperação não é apenas de complementaridade comercial, mas em diversos ramos, entre os quais a troca de experiências que podem transformar a vida nas cidades mais agradável.

Neste sentido, a economia compartilhada é um exemplo. A chinesa DiDi Chuxing foi uma das primeiras empresas do ramo a perceber as potencialidades do Brasil anunciando a compra de 10% de participação na brasileira 99, empresa de mobilidade que oferece reservas de carros particulares e de táxis em 550 cidades brasileiras.

A startup brasileira, fundada em 2012, mesmo ano da DiDi, hoje tem na troca de experiências e tecnologias com a gigante chinesa um dos principais pilares de expansão, extrapolando os limites do simples aporte financeiro. O japonês SoftBank, que também investe na DiDi, detém outros 10% da 99, numa arquitetura de negócios que amplia os laços entre os brasileiros e os chineses.

Somos responsáveis, só na China, por 20 milhões de corridas diárias, oferecendo não apenas soluções de transporte mais eficiente nas grandes cidades, mas produzindo dados sobre mobilidade e necessidades dos usuários que podem auxiliar nos controles de tráfego, ajudando os departamentos de trânsito das cidades a controlarem ou reduzirem os indesejáveis engarrafamentos - disse a presidente da DiDi, Liu Qing, em encontro com uma delegação brasileira em visita à China. Na China, a DiDi já tem projetos de compartilhamento de dados com o governo da cidade de Jinan, capital da província de Shandong, cuja população é de pouco mais de 7 milhões de habitantes.

No grupo de brasileiros, estavam presentes representantes da 99, do governo brasileiro, como o secretário Assuntos Estratégicos da Presidência, Hussein Kalout, e o senador brasileiro Cristóvam Buarque.

Costumamos olhar no Brasil para o Vale do Silício e o que se produz por lá, mas é fundamental entendermos que o país com tecnologia, inovação e soluções que mais se assemelham à nossa realidade é a China - afirmou o diretor de Política e Comunicação da 99, Matheus Moraes, durante a visita à sede da DiDi.

O prédio da empresa fica em uma área afastada do centro de Beijing, mas na região de Zhongguancun, que reúne diversas companhias e startups da economia compartilhada chinesa, caso da SoftStone, a poucos metros de distância. Só na DiDi, são 7 mil funcionários, a metade dos quais, engenheiros e cientistas de dados.

Eles trabalham rumo a uma meta ambiciosa: até 2020, a empresa quer se tornar líder global em transporte inteligente e tecnologia automotiva, o que inclui, ainda operar a maior rede de veículos do planeta. A escala do mercado chinês é um laboratório robusto. Hoje, a DiDi já atua em mais de 400 cidades, produzindo um manancial de dados que ultrapassa 70 terabytes diariamente. Os serviços também são amplos, de aluguel de veículos e reserva de carros de luxo a compartilhamento de bicicletas. Mas a ideia é ampliar para veículos autônomos.

A solidez da empresa justifica aportes de parceiros como Tencent, Alibaba e Apple, além de parcerias de investimento e trocas tecnológicas com companhias como Lyft, Grab, Ola, Uber e a própria 99.

DiDi e 99 operam de forma semelhante. O usuário precisa baixar o aplicativo da companhia e, a partir dele, pode fazer o pedido do carro, na modalidade que lhe aprouver: táxi, veículo particular padrão ou de luxo ou mesmo para corridas compartilhadas. Pelo menos, estes são os serviços mais comuns nas duas operações.

Mas o que difere as duas companhias, inclusive em conveniência para o usuário, é a forma de pagamento: enquanto na China muita gente prefere usar os aplicativos para transferir dinheiro ao motorista via tecnologia digital, no Brasil, os passageiros são dependentes do dinheiro em papel ou de cartões, tanto de crédito quanto de débito. Sinal de que ainda há muitos outros campos para ampliar cooperações sino-brasileiras na nova economia, que cada vez mais cresce.

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