Conselho de Segurança da ONU exige fim da violência em Rakhine, Mianmar

2017-09-14 20:55:48丨portuguese.xinhuanet.com

Organização das Nações Unidas, 13 set (Xinhua) -- O Conselho de Segurança da ONU expressou nesta quarta-feira "profunda preocupação" com a situação no estado de Rakhine, em Mianmar, e pediu o fim da violência contra o grupo de minorias étnicas Rohingya, que são majoritariamente muçulmanos.

"Os membros do Conselho de Segurança expressaram profunda preocupação sobre a situação no estado de Rakhine, reconhecendo o ataque inicial (por Rohingyas) às forças de segurança de Mianmar em 25 de agosto, e condenaram a subsequente violência (pelas forças de segurança de Mianmar), que levaram ao deslocamento de mais de 370 mil pessoas," disse Tekeda Alemu, presidente do Conselho de Segurança, em uma leitura do acordo do conselho após consultas fechadas na quarta-feira.

"Eles expressaram preocupação com os relatos de violência excessiva durante as operações de segurança e pediram medidas imediatas para acabar com a violência em Rakhine, diminuir a situação, restabelecer a lei e a ordem, garantir a proteção dos civis, restaurar condições socioeconômicas normais e resolver o problema dos refugiados".

No início da quarta-feira, o secretário-geral da ONU, António Guterres, descreveu a situação no Rakhine, em Mianmar, como "catastrófica". O número de refugiados que fugiram para Bangladesh triplicou desde a semana passada, chegando a quase 380 mil. Mulheres e crianças estão chegando com fome e desnutridas, disse Guterres a repórteres. Ele pediu a todos os países que façam o que puderem para ajudar os refugiados.

As consultas do Conselho de Segurança vieram depois que Guterres escreveu uma carta ao conselho expressando preocupação.

"Eu já condenei os ataques feitos pelo Exército da Salvação de Rohingya Arakan, no estado de Rakhine, mas há relatos perturbadores de ataques por parte das forças de segurança contra civis, que são completamente inaceitáveis. Atividades de ajuda por parte de agências da ONU e organizações não-governamentais internacionais têm sido frequentes," disse Guterres.

"Faço um apelo às autoridades de Mianmar que suspendam a ação militar, acabem com a violência, defendam o estado de direito e reconheçam o direito de retorno de todos aqueles que tiveram que sair do país".

"Clamo para garantir a entrega de ajuda humanitária vital por agências da Organização das Nações Unidas, organizações não-governamentais e outros. Repito o meu apelo a um plano de ação efetivo para enfrentar as causas profundas da crise. Os muçulmanos do estado de Rakhine devem receber a nacionalidade, ou pelo menos por enquanto, um status legal que lhes permita levar uma vida normal, incluindo liberdade de circulação e acesso aos mercados de trabalho, educação e serviços de saúde".

O povo Rohingya tem sua cidadania negada pela lei de cidadania de Mianmar de 1982. O governo de Mianmar os reconhece como imigrantes ilegais do país vizinho Bangladesh. Eles foram trazidos de Bangladesh por britânicos durante os anos da era colonial como trabalhadores e colonos, desde que os britânicos controlavam Bangladesh e Mianmar naquela época. Desde o início da última repressão, mais de um terço dos Rohingyas fugiram para Bangladesh.

Na quarta-feira, o Conselho de Segurança parabenizou a assistência do governo de Bangladesh aos refugiados e também a ONU e outros esforços internacionais por apoiar o governo de Bangladesh a este respeito, de acordo com Alemu, embaixador da Etiópia nas Nações Unidas.

Eles pediram ao governo de Mianmar que cumpra com seus compromissos de prestar assistência aos refugiados sem discriminação e facilitar a assistência humanitária aos necessitados e assegurar a proteção e a segurança dos trabalhadores humanitários.

Os membros do conselho incentivaram o diálogo entre os estados envolvidos e concordaram com a importância de uma solução a longo prazo para o problema em Rakhine. Neste contexto, pediram a implementação de recomendações de uma comissão consultiva do Estado de Rakhine liderada pelo ex-secretário-geral da ONU, Kofi Annan.

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