Operação Carne Fraca: Brasil suspende exportações de 21 frigoríficos investigados por adulterar produtos

2017-03-21 11:19:06丨portuguese.xinhuanet.com

Rio de Janeiro, 20 mar (Xinhua) -- O governo brasileiro anunciou na segunda-feira a proibição preventiva das exportações de carne oriundas dos 21 frigoríficos investigados na operação Carne Fraca, iniciada na semana passada pela Policia Federal (PF).

A operação revelou um esquema de corrupção envolvendo fiscais do Ministério da Agricultura e produtores de carnes. Além do pagamento de propina a fiscais e partidos políticos, a PF investiga a adulteração de produtos e a venda de carne vencida e estragada.

A ação envolve grandes como a BRF Brasil, que controla marcas como Sadia e Perdigão, e também a JBS, que detém Friboi, Seara, Swift, entre outras marcas, mas também frigoríficos menores, como Mastercarnes e Peccin, do Paraná. As empresas negam irregularidades.

A proibição não atinge o mercado interno, já que segundo o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, não há risco para a população. "Não existem motivos para preocupação. Nosso sistema está funcionando, o que ocorreu foi um desvio e as pessoas envolvidas já foram afastadas", afirmou.

A proibição de exportação foi anunciada depois que a União Europeia comunicou ao governo brasileiro a suspensão de compra das empresas investigadas.

O Brasil é o segundo maior produtor de carne bovina do mundo e o maior exportador. Segundo o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, as vendas de carne para a União Europeia, Coreia do Sul e China cresceram nos últimos anos e ganharam peso na pauta exportadora brasileira. Em 2013, somaram US$ 2,82 bilhões, o equivalente a 17,8% de toda a exportação de carne do Brasil a outros países. Em 2016, subiram para US$ 3,67 bilhões, 27,2% do total.

O setor vendeu para mais de 150 países no ano passado e agora se preocupa com os impactos negativos do esquema de venda de carne supostamente adulterada.

Segundo o presidente Michel Temer, apenas seis das 21 unidades suspeitas de fraudes exportaram nos últimos 60 dias. Em uma tentativa de tranquilizar os países importadores, Temer reuniu embaixadores para jantar em uma churrascaria de Brasília, no domingo.

Na segunda-feira, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec) e a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) criticaram a maneira como a Polícia Federal divulgou os resultados da Operação Carne Fraca.

Para os representantes das associações, a comunicação da operação foi feita de maneira equivocada e prejudica o setor. "A comunicação ensejou tudo isso", disse Francisco Turra, da ABPA. "Passou uma imagem generalizada de que tudo no Brasil é ruim, e não é isso."

O presidente da Abiec, Antônio Jorge Camardelli, ressaltou que o Brasil segue todos os padrões sanitários internacionais da indústria de proteína animal, seja de boi, porco ou ave, e afirmou que eventuais desvios de conduta na fábricas nacionais atingem uma fração mínima da produção brasileira de carne e devem ser repudiados e combatidos.

JBS e BRF Brasil publicaram comunicados oficiais nos principais meios de comunicação do país, nos quais garantiram que estão colaborando com as investigações e negaram qualquer adulteração nos produtos.

A investigação revelou que parte do lucro arrecadado com as vendas se destinava a pagar subornos ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), do presidente Michel Temer, e ao Partido Progressista (PP), também da base que apoia o governo.

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