Análise: Com 11 candidatos presidenciais, eleitores franceses ficam desorientados em meio a eleição presidencial caótica

2017-03-20 16:03:52丨portuguese.xinhuanet.com

Paris, 19 mar (Xinhua) -- Onze candidatos competirão pela presidência francesa no primeiro turno da eleição em abril, anunciou no sábado o presidente do Conselho Constitucional francês Laurent Fabius, após a verificação da lista completa de candidatos.

Além das incertezas que sempre surgem sobre os potenciais resultados da votação, a campanha já promete uma reconfiguração do âmbito político na França.

Três candidatos - Philippe Poutou do Partido Novo Anticapitalista, Jacques Cheminade do Partido Solidariedade e Progresso e o representante centrista não-afiliado Jean Lassalle foram qualificados na última hora e irão se juntar à lista inicial de oito candidatos que receberam um mínimo das 500 assinaturas exigidas para concorrer.

Os oito concorrentes iniciais são François Fillon dos republicanos, Benoit Hamon do Partido Socialista, Emmanuel Macron do En Marche!, o nacionalista Nicolas Dupont-Aignan de do Levante-se França, Jean-Luc Melenchon do França Não Submissa, Nathalie Arthaud da Luta dos Trabalhadores, a candidata de extrema-direita Marine Le Pen da Frente Nacional e o eurocético François Asselineau da União Republicana Popular.

Raramente uma eleição esteve tão indecisa há menos de cinco semanas antes do primeiro turno. Há, porém, uma certeza: a décima eleição presidencial da Quinta República da França entrará para a história. Nunca, de fato, uma campanha experimentou tantos choques desde que o General de Gaulle tornou a eleição um fator central na vida política francesa.

A decisão do atual presidente François Hollande de não concorrer a um segundo mandato, e as campanhas primárias inesperadas que concluíram com a eliminação do aparentemente incontestado favorito Alain Juppé são apenas alguns dos eventos que contribuíram para mergulhar observadores políticos em circunspecção e opinião pública em desordem.

É importante não esquecer que é também a primeira vez que uma eleição presidencial está sendo realizada na França enquanto o país se encontra sob um estado de emergência.

Poucas horas antes da publicação da lista final de candidatos, um homem foi morto no aeroporto de Orly, em Paris, depois de tentar arrancar uma arma de um soldado.

Sem dúvida, as propostas dos candidatos em termos de segurança e luta contra o terrorismo voltarão ao centro do debate na campanha.

Todas as pesquisas preveem a chegada do partido da Frente Nacional de extrema-direita no segundo turno da eleição presidencial pela segunda vez na história, graças a uma pontuação definitivamente superior à alcançada em 2002 por Jean-Marie Le Pen, presidente do partido e pai de Marine Le Pen.

Não importa quem será seu adversário no segundo turno, acredita-se que Marine Le Pen será derrotada. Apesar de tudo, o cenário de uma possível vitória da extrema direita, levando a um potencial Frexit da União Europeia, continua a alimentar todos os tipos de conjecturas mais ou menos irracionais.

De acordo com uma pesquisa da Ipsos Sopra Steria realizada para o jornal Le Monde e CEVIPOF (Instituto de Ciências Políticas), Marine Le Pen (27%) e Emmanuel Macron (26%) ficariam em primeiro lugar no primeiro turno, ultrapassando facilmente François Fillon (17,5%).

No segundo turno da eleição, Emmanuel Macron ganharia com 61% dos votos, superando os 39% de Marine Le Pen, de acordo com a pesquisa.

Vários sinais permanecem, entretanto, mostrando que os eleitores estão incertos e desinteressados. Entre as pessoas que votarão, 41% dizem que ainda podem mudar de ideia.

A participação dos eleitores também é projetada em 66% dos eleitores elegíveis, um nível relativamente baixo para um primeiro turno de eleição presidencial francesa.

A investigação formal de François Fillon, acusado de envolvimento em um escândalo de trabalhos falsos que alegadamente teriam beneficiado sua esposa e seus filhos, vai deixar feridas profundas entre os conservadores, mesmo que os republicanos pareçam perder foça na disputa no momento.

De acordo com uma pesquisa da Odoxa publicada na sexta-feira, no entanto, três quartos dos eleitores franceses acreditam que Fillon está errado em permanecer na disputa presidencial.

Os candidatos dos dois partidos políticos tradicionais que estruturaram a política francesa durante décadas, o Partido Republicano e o Partido Socialista, poderiam ser ambos eliminados no primeiro turno. Este seria um evento histórico para a Quinta República.

Parte da base de votos para os republicanos poderia ser tentada pela Frente Nacional de extrema direita.

Acima de tudo, a ascensão do candidato "pega-tudo" Emmanuel Macron confunde a questão. O ex-banqueiro de investimentos de 39 anos e seu movimento "En Marche!" prometem uma ruptura com a tradicional divisão direita-esquerda.

Macron se apresentou na quinta-feira em Berlim como o candidato mais europeu e como o defensor da aliança franco-alemã, durante uma visita à chanceler alemã Angela Merkel.

010020071380000000000000011100001361428881