Documentário chinês acaba com mito de que as maçãs foram introduzidas na China via Ocidente
Urumqi, 27 set (Xinhua) -- Um documentário exibido na segunda-feira mostra as origens da humilde maçã na província de Xinjiang, noroeste da China, o que acaba com a crença popular entre os chineses de que a fruta teria sido introduzida no país via Ocidente.
O documentário "Salvar o patrimônio genético", baseia-se num grande número de evidências científicas para provar que todas as variedades de maçãs cultivadas são descendentes da Malus sieversii, uma espécie silvestre de maçã nativa do monte Tianshan na Ásia Central.
Muitos chineses atribuem a introdução da maçã na China à John Livingstone Nevius, um missionário cristão norte-americano. De acordo com essa crença, Livingstone e sua mulher levaram com eles sementes de maçã a Yantai, na província de Shandong, atualmente uma importante região produtora de maçãs.
A equipe que realizou o documentário também analisou uma árvore de maçã selvagem na prefeitura Autônoma Cazaque de Ili, na Região Autônoma Uigur de Xinjiang. Acredita-se que a árvore de 12,9 metros tenha mais de 600 anos, centenas de anos mais velha do que a suposta data da introdução da maçã na China.
A sequenciação do genoma da maçã pelo italiano Riccardo Velasco reforça a relação entre as maçãs silvestres e domésticas, disse Zhang Daoyang, pesquisador do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang da Academia Chinesa de Ciências (CAS).
O Monte Tianshan tem um dos maiores sistemas ecológicos de frutas silvestres do mundo. Muitas espécies de frutas silvestres floresceram nos vales e bacias do monte Tianshan durante a era do gelo Cenozoic, cerca de 65 milhões de anos atrás. De acordo com a pesquisa mais recente, a região tem 84 variedades de maçãs silvestres, o que a torna num raro e rico patrimônio genético da maçã.
O vice-diretor do Instituto de Ecologia e Geografia de Xinjiang, Guan Kaiyun, disse que os pesquisadores estão explorando o potencial para domesticar variedades silvestres que são resistentes a seca e ao frio, além de serem saborosas.
O documentário, transmitido pelo canal de ciência e educação da Televisão Central da China (CCTV) foi produzido pelo instituto de Xinjiang em parceria com a CCTV e o Departamento de Comunicação de Ciências da CAS.










